Selic a 8,75% derruba parcela do financiamento em R$ 312 já nesta semana
Copom cortou a taxa básica na quarta-feira e os bancos já repassaram parte da queda: simulação mostra que um imóvel de R$ 600 mil ficou R$ 312 mais barato por mês. Veja se vale esperar mais.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic em 0,50 ponto percentual na última quarta-feira, levando a taxa básica de 9,25% para 8,75% ao ano — o menor patamar desde março de 2021, quando o Brasil ainda vivia o choque inflacionário pós-pandemia. O movimento já começou a chegar às pranchetas dos bancos: Santander, Itaú e Bradesco anunciaram revisão nas taxas de crédito imobiliário com recursos da caderneta de poupança ainda na sexta-feira, e a Caixa Econômica Federal promete atualizar sua tabela até a próxima quinta (17).
Na prática, a queda já aparece nas simulações. Um financiamento de R$ 600 mil pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), com entrada de 20% e prazo de 30 anos, tinha parcela inicial de R$ 6.841 na medição da última semana de agosto. Com a taxa média do mercado recuando de 11,2% para 10,7% ao ano, a prestação inicial caiu para R$ 6.529 — uma economia de R$ 312 por mês, ou R$ 3.744 por ano. No total do contrato, a diferença passa de R$ 112 mil em juros pagos, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
O alívio chega em um momento delicado para quem quer comprar. Os preços dos imóveis residenciais subiram 5,9% nos últimos 12 meses, de acordo com o índice FipeZap divulgado no início de setembro, enquanto a renda média do trabalhador avançou apenas 3,1% no mesmo período, segundo o IBGE. Ou seja: mesmo com juros menores, o poder de compra do comprador segue pressionado, e a parcela inicial ainda compromete mais de 30% da renda em metrópoles como São Paulo e Florianópolis.
Para especialistas, a decisão do Copom tem efeito em duas velocidades. A primeira é imediata: contratos novos e renegociações de dívidas já sentem o corte. A segunda é mais lenta e depende do ritmo de queda da inflação. "O mercado futuro de juros embutia Selic a 8,25% no fim de 2026 até a semana passada. Se o IPCA de agosto, que sai na terça-feira, vier abaixo de 0,30%, a curva pode antecipar mais um corte em outubro e as taxas de financiamento podem recuar para a casa dos 10,2% ao ano", avalia Renata Vilela, economista-chefe da consultoria Anbima.
O efeito já é visível também no mercado secundário. Fundos imobiliários de tijolo acumulam alta de 4,3% em setembro, e as emissões de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) somaram R$ 6,8 bilhões nas duas primeiras semanas do mês, alta de 38% sobre igual período de 2025, segundo dados preliminares da B3. As incorporadoras listadas, como Cyrela e Direcional, também correm para lançar estoque antes que a concorrência com o crédito mais barato aqueça demais os preços.
A pergunta que o comprador precisa responder agora é simples: fechar contrato com a taxa desta semana ou esperar mais um corte? A resposta depende do bolso e do imóvel. Se o bem é único — um apartamento específico, com localização e metragem difíceis de replicar —, travar a taxa em 10,7% e depois renegociar custa menos do que perder o negócio. Já quem está no começo da busca tem motivo real para aguardar: cada 0,25 ponto de queda na Selic derruba cerca de R$ 160 na parcela de um financiamento de R$ 600 mil. Com o mercado apostando em Selic a 8% até dezembro, a diferença pode chegar a R$ 480 por mês — dinheiro que, no fim do contrato, equivale a um carro zero na garagem.


