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Selic a 16,5%: quanto a parcela do seu imóvel subiu nesta semana

O novo Copom elevou a taxa básica e o impacto já apareceu nas simulações da Caixa e dos bancos privados. Veja os números por faixa de renda e prazos.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 16,5%: quanto a parcela do seu imóvel subiu nesta semana

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou, na última quarta-feira (2), a oitava elevação consecutiva da Selic, levando a taxa básica a 16,5% ao ano. O efeito no financiamento imobiliário foi imediato: segundo simulações da Abrainc divulgadas nesta quinta-feira (3), a parcela de um imóvel de R$ 500 mil financiado em 30 anos subiu, em média, R$ 480 em relação ao mês passado, considerando as novas condições de crédito dos bancos privados.

A alta é sentida principalmente nos financiamentos que não utilizam recursos da poupança — que respondem por cerca de 60% das operações realizadas neste trimestre, segundo dados da B3. Com a Selic elevada, o custo de captação dos bancos sobe, e as taxas de juros dos financiamentos imobiliários saíram de uma média de 13,2% ao ano em junho para 14,1% ao ano em setembro, de acordo com o último levantamento do Banco Central do Brasil. No caso dos bancos privados, como Itaú e Bradesco, as taxas já chegam a 15,3% ao ano para prazos acima de 30 anos.

A Caixa Econômica Federal, por sua vez, mantém a tabela atrelada à poupança e ainda não anunciou reajuste, mas a pressão é crescente. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária afirmam que a Caixa deve elevar suas taxas em até 0,7 ponto percentual no próximo ciclo, o que pode encarecer o imóvel em até R$ 1.000 na parcela de um financiamento de R$ 600 mil. Enquanto isso, os compradores que dependem do FGTS encontram um cenário misto: o fundo reduziu a taxa de juros para imóveis de até R$ 350 mil, mas o teto de financiamento para imóveis usados caiu em algumas regiões metropolitanas, como apontou o Secovi-SP no início deste mês.

A alta da Selic também reflete no Índice de Preços FipeZap de agosto, que mostrou uma desaceleração no preço dos imóveis anunciados nas capitais, com variação de apenas 0,2% no mês — a menor desde maio. Isso, porém, não representa uma queda real, mas sim um esfriamento da demanda, já que o custo do crédito afugenta parte dos compradores. Em contrapartida, o mercado de aluguel segue aquecido, com alta de 1,8% no trimestre, puxada por São Paulo e Curitiba.

Para o corretor e analista de crédito André Nunes, o momento exige cautela: "Ninguém deve comprar imóvel apostando em queda de juros. Quem está no mercado agora precisa renegociar prazos e buscar alternativas como o uso de recursos do FGTS para amortizar o saldo devedor". Nunes recomenda que o comprador simule o financiamento com pelo menos três instituições diferentes e avalie a contratação de um seguro de proteção financeira, que pode reduzir o risco de inadimplência em caso de imprevistos.

Para quem já contratou o financiamento com taxa fixa, não há impacto imediato, mas os especialistas alertam para a importância de revisar o contrato: algumas instituições oferecem cláusulas de reajuste atreladas à Selic, o que pode elevar a parcela. No cenário atual, a orientação é buscar a portabilidade para um banco com taxas menores e, se possível, aumentar o valor de entrada — a cada 10% de entrada adicional, o custo total do financiamento pode cair até 15%, segundo simulação da Anbima.

A expectativa do mercado, segundo o último relatório Focus, é que a Selic atinja o pico de 16,75% em outubro, com início de corte somente em março de 2027. Até lá, quem planeja comprar imóvel deve considerar a possibilidade de negociar um contrato com taxa pré-fixada e usar a renda fixa a seu favor: com a Selic a 16,5%, o rendimento de um CDB pode ajudar a compor a entrada em um prazo mais curto, minimizando o efeito dos juros elevados sobre a parcela final.

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