Selic a 15% trava financiamentos: o bairro de SP que deu a volta por cima em julho
Com a Selic atingindo 15% ao ano, o mercado imobiliário sente o aperto. Mas um bairro paulistano surpreendeu com alta de 12% nas vendas à vista. Entenda o fenômeno.
Na última quarta-feira (15), o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 15% ao ano, maior patamar desde 2016. A decisão já impacta o mercado imobiliário: segundo a ABRAINC, as contratações de financiamento imobiliário com recursos da poupança caíram 8% na primeira quinzena de julho em relação a junho. O cenário é de aperto para quem depende de crédito.
Mas, em meio à turbulência, um bairro de São Paulo chama a atenção. O Brás, tradicional reduto comercial, registrou alta de 12% nas vendas de imóveis residenciais à vista em julho, segundo dados do Secovi-SP. O motivo? Investidores estão migrando de aplicações financeiras — com Selic alta, o rendimento real de títulos pós-fixados supera 7% ao ano — para imóveis descontados, vistos como proteção contra a inflação.
"É a volta do 'flight to quality' imobiliário", diz Marcio Camargo, economista-chefe da Fipe. "Com juros tão altos, o comprador que tem dinheiro em mãos busca ativos com potencial de valorização e renda de aluguel, especialmente em regiões com vocação comercial e boa localização." O Brás, com preço médio de R$ 4.500/m², está 30% abaixo da média da cidade, o que atrai caçadores de pechinchas.
Enquanto isso, o financiamento tradicional sofre. A Caixa Econômica Federal, que responde por 70% dos financiamentos com recursos do FGTS, reduziu o prazo máximo de 35 para 30 anos e elevou o spread em 0,5 ponto percentual para operações acima de R$ 500 mil. As construtoras listadas na B3 já reportam queda de 15% nas vendas de imóveis na planta no segundo trimestre.
Para quem pretende comprar, a dica dos analistas é negociar taxas com múltiplos bancos. Dados do Banco Central mostram que o spread médio dos financiamentos imobiliários subiu de 7,2% em janeiro para 8,1% em julho. "Quem tem entrada maior e renda comprovada consegue taxas melhores, muitas vezes equivalentes à Selic atual", afirma Paula Reis, consultora da Anbima.
A expectativa do mercado é que a Selic permaneça nesse patamar até o fim do ano. Para quem pode esperar, talvez haja janela de oportunidade se os juros começarem a cair no primeiro trimestre de 2027. Até lá, o mercado se ajusta com mais negócios à vista e criatividade nos financiamentos.

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