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Selic a 15%: quanto sua parcela imobiliária subiu esta semana

Copom elevou juros a 15% na quarta-feira; para imóvel de R$ 500 mil, prestação sobe R$ 412 já em outubro. Veja simulações e saiba se vale esperar.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 15%: quanto sua parcela imobiliária subiu esta semana

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 15% ao ano na última quarta-feira, 2 de setembro, em um movimento que já era esperado pelo mercado, mas que trouxe consequências imediatas para quem está financiando um imóvel. A alta de 0,75 ponto percentual, a nona consecutiva no ciclo de aperto, foi justificada pela inflação resiliente, que fechou agosto em 5,2% no acumulado de 12 meses, bem acima da meta de 3,5%. Com isso, os bancos já começaram a repassar o novo patamar de juros para as linhas de crédito imobiliário — e o impacto na parcela pode chegar a R$ 412 por mês em um financiamento típico de R$ 500 mil.

A simulação feita pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) considera um contrato de 30 anos pela Tabela Price, com entrada de 20%. Para um imóvel de R$ 500 mil, o valor financiado é de R$ 400 mil, e a parcela inicial saltou de R$ 4.238 para R$ 4.650, considerando a taxa média do mercado, que passou de 10,9% para 11,7% ao ano. Em 12 meses, o comprador pagará R$ 4.944 a mais somente neste primeiro ano. Quem ainda não assinou o contrato e está na fase de pesquisa precisa correr: as condições atuais podem mudar ainda neste mês, conforme os bancos ajustam suas tabelas.

O efeito, no entanto, não é uniforme. Linhas com recursos da poupança (SBPE), que respondem por cerca de 70% dos financiamentos, são as mais afetadas, pois a taxa é atrelada à TR e à própria Selic. Já os contratos com recursos do FGTS, que têm teto de juros menor (até 10,5% ao ano), sofreram menos impacto — mas a Caixa Econômica Federal já anunciou que vai revisar as condições para novos contratos a partir de outubro. Segundo o banco, quem já tem o contrato assinado não será afetado, mas quem está apenas com a proposta aprovada pode ter surpresas na assinatura.

Para o mercado imobiliário, o cenário é de desaceleração. As vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo, que vinham crescendo a 12% ao ano no primeiro semestre, devem terminar 2026 com alta de apenas 4%, segundo projeção do Secovi-SP. Já os lançamentos, que caíram 8% no trimestre encerrado em agosto, devem sofrer nova retração até dezembro. Por outro lado, os preços dos imóveis usados seguem firmes, com alta de 9,2% no Índice FipeZap nos últimos 12 meses, puxada pela escassez de oferta e pelo custo de construção, que subiu 7,8% no mesmo período.

A recomendação dos especialistas é clara: quem tem pressa e condições de entrar agora deve tentar fixar a taxa antes de novas altas, já que o mercado projeta mais um aumento de 0,5 ponto na reunião de novembro, elevando a Selic para 15,5%. Por outro lado, quem pode esperar até o primeiro trimestre de 2027, quando o Copom deve iniciar o ciclo de queda, pode encontrar juros menores — mas também preços mais altos nos imóveis, o que pode anular o ganho. A matemática precisa ser feita caso a caso, considerando o valor do imóvel, o prazo e a entrada.

Para ajudar na decisão, a plataforma de simulação do Banco Central, o Cidadão, já está atualizada com a nova Selic. Em um exemplo prático: financiar R$ 400 mil em 30 anos com a taxa de 11,7% resulta em um custo total de R$ 1,67 milhão, enquanto com a taxa anterior de 10,9% o total seria de R$ 1,52 milhão — uma diferença de R$ 150 mil. Esse número ilustra o tamanho do impacto da decisão do Copom no bolso do comprador de imóvel.

Diante desse cenário, a orientação é que o comprador negocie com pelo menos três bancos e considere também as cooperativas de crédito, que têm linhas com taxas até 1 ponto percentual menores. Outra alternativa é usar parte do FGTS para amortizar o saldo devedor, reduzindo o impacto das parcelas futuras. O que não dá é ficar parado: o mercado de juros altos não espera, e a janela para contratar com as condições atuais pode fechar antes do fim do ano.

#Selic#financiamento imobiliário#Copom
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