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Selic a 13,75%: por que sua parcela ficou R$ 480 mais cara esta semana

Com o Copom segurando os juros, bancos elevam taxas do crédito imobiliário. Simulação mostra impacto real no bolso de quem vai financiar agora.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 13,75%: por que sua parcela ficou R$ 480 mais cara esta semana

A decisão do Copom na última quarta-feira de manter a Selic em 13,75% ao ano não surpreendeu o mercado, mas já começa a cobrar seu preço de quem pretende comprar imóvel neste trimestre. Grandes bancos como Itaú e Bradesco ajustaram suas tabelas de crédito imobiliário nos últimos dias, elevando as taxas médias de 10,9% para 11,4% ao ano para novos contratos com recursos da poupança, segundo levantamento do Banco Central divulgado hoje.

Para uma família que financia R$ 400 mil em 30 anos pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), a parcela inicial saltou de R$ 4.580 para R$ 5.060 — um acréscimo de R$ 480 por mês, exatamente o valor que a alta de juros adicionou ao custo do crédito. Especialistas ouvidos pela reportagem calculam que, apenas com essa variação, o comprador paga R$ 172 mil a mais ao longo de todo o contrato, considerando a correção do saldo devedor.

O efeito prático já aparece nas incorporadoras. Segundo dados preliminares da Abrainc, as vendas de imóveis novos nas capitais caíram 12% em agosto neste comparativo mensal, e a tendência para setembro é de nova retração, com muitas construtoras oferecendo condições especiais para destravar negócios — como subsídio de até 2% no valor do imóvel ou arredondamento da taxa em 0,5 ponto percentual nos primeiros 24 meses.

A alta da Selic também impacta o mercado de papel. Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) indexados ao IPCA, que vinham sendo a aposta de investidores institucionais, tiveram queda média de 1,8% na última semana, conforme a Anbima, com a curva de juros futuros indicando Selic em 14% até o fim do ano. Já os fundos imobiliários de papel sentem a pressão: os FIIs de CRI caíram 0,9% no mês, enquanto os de tijolo seguem resilientes, com vacância média de 7,2% nos lajes corporativas, segundo a Secovi-SP.

Para o corretor e analista independente Ricardo Z. Ruiz, o momento exige readequação do planejamento. "Quem estava com entrada pronta e financiamento aprovado só precisa correr para assinar o contrato antes que os bancos reprecifiquem as propostas já emitidas — normalmente válidas por 15 dias. Quem está começando a pesquisar agora deve simular com taxa de 12% ao ano para já se precaver", afirma. Ele recomenda ainda avaliar o uso de recursos do FGTS, que na semana passada teve novas regras aprovadas no Congresso para permitir amortização extraordinária de até 20% do saldo, medida que pode reduzir o custo efetivo do financiamento.

O mercado segue dividido sobre o próximo passado do Copom. A ata da reunião, divulgada na terça-feira desta semana, indica que o comitê deve manter a taxa estável na próxima reunião de outubro, mas há quem aposte em um novo aperto de 0,25 ponto percentual já em novembro, caso a inflação de serviços não arrefeça. O Boletim Focus, divulgado hoje, projeta IPCA de 5,4% em 2026, acima do teto da meta, o que reforça o cenário de juros altos por mais tempo.

Na prática, para quem precisa financiar, a janela atual é de custo elevado e oferta seletiva — mas não de paralisia. Imóveis com desconto à vista em leilões e na planta seguem com boa margem de negociação, e o investidor que consegue usar recursos próprios para reduzir o valor financiado pode amenizar o impacto dos juros. A dica dos especialistas: use a calculadora do Banco Central e projete não só a parcela inicial, mas o custo total com a taxa atualizada. A diferença de 1 ponto percentual em um financiamento de 30 anos pode representar mais de R$ 150 mil no final — um valor que, bem investido, garante a entrada de outro imóvel.

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