Selic a 13,75%: por que seu financiamento imobiliário ficou R$ 312 mais caro
Com o Copom mantendo a taxa nesta semana, bancos já repassaram o aumento para novos contratos. Veja o impacto real na parcela de quem vai financiar até R$ 500 mil.

A decisão do Copom desta semana de manter a Selic em 13,75% ao ano não surpreendeu o mercado, mas o efeito prático para quem está negociando um imóvel já apareceu: os bancos subiram as taxas de financiamento em até 1,2 ponto percentual desde o último aumento, em agosto. Para um financiamento de R$ 400 mil em 360 meses, a parcela média saltou de R$ 3.890 para R$ 4.202, uma diferença de R$ 312 por mês – ou R$ 3.744 por ano.
Os dados são de um levantamento feito pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip) e repassados ao Perspectiva Imobiliária nesta sexta-feira (6). O levantamento mostra que a taxa média dos contratos com recursos da poupança (SBPE) chegou a 12,8% ao ano, a maior desde maio de 2025. Com a Selic estabilizada, a expectativa é que os juros dos bancos sigam pressionados por enquanto, especialmente para quem não tem relacionamento forte com a instituição.
Na ponta, o comprador de imóveis usados é o mais afetado, já que as linhas com recursos do FGTS não cobrem todos os casos e a Caixa Econômica Federal apertou os critérios de avaliação. Em agosto, a Caixa passou a exigir entrada mínima de 25% para imóveis acima de R$ 800 mil – antes eram 20%. Segundo o Secovi-SP, o número de contratos novos na capital paulista caiu 14% em agosto em comparação com julho, reflexo direto desse aperto.
Para quem está pensando em financiamento neste mês, a recomendação dos agentes de mercado é clara: vale simular com pelo menos três bancos antes de assinar. Uma diferença de 0,5 p.p. na taxa pode representar uma economia de R$ 30 mil ao longo do contrato. Além disso, o Banco Central sinalizou que a Selic deve cair apenas em dezembro, então há espaço para negociar taxas mais altas nos próximos 90 dias – mas também para quem esperar, se puder.
No trimestre atual, os lançamentos de imóveis de médio padrão estão segurando os preços, que subiram 0,8% em agosto, bem abaixo da inflação. Isso significa que o comprador tem poder de barganha, mas precisa agir rápido: com a Selic parada, os bancos não têm incentivo para baixar juros até o fim do ano. Quem conseguir juntar mais entrada ou esperar a próxima reunião do Copom, em novembro, pode encontrar condições melhores.
De olho no custo total, especialistas ouvidos pela reportagem lembram que amortizar parcelas extras ou usar FGTS no momento da assinatura reduz o custo efetivo. Para quem já tem contrato com taxa pré-fixada, a alta da Selic não muda a parcela – mas vale ficar atento ao CDI, que corrige as taxas pós-fixadas. O mercado segue monitorando os próximos passos do Banco Central, mas o cenário para este semestre é de juros altos e financiamento mais caro.
Por isso, a dica final é: se você encontrou o imóvel e a taxa está dentro do seu orçamento, não espere uma queda brusca da Selic para fechar negócio. A queda, quando vier, será gradual. E, enquanto isso, a diferença de R$ 312 na parcela pode ser compensada com uma boa negociação no preço do imóvel – o mercado está mais flexível.


