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Selic a 12,75%: por que sua parcela subiu R$ 312 esta semana

O Copom elevou a taxa em 0,5 p.p. na quarta-feira, mas o impacto no financiamento imobiliário veio antes, com bancos reajustando spreads. Veja quem paga a conta.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 12,75%: por que sua parcela subiu R$ 312 esta semana

Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 12,75% ao ano, em decisão unânime, citando pressões inflacionárias e um cenário fiscal ainda incerto. Foi o terceiro aumento consecutivo no trimestre, e o efeito colateral já apareceu nas planilhas de quem estava prestes a assinar um financiamento imobiliário.

Levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), divulgado nesta sexta-feira, mostra que a taxa média dos financiamentos com recursos da poupança subiu de 10,4% para 10,9% ao ano desde o Copom anterior. Na prática, para um imóvel de R$ 500 mil financiado em 30 anos, a parcela inicial saltou de R$ 4.238 para R$ 4.550 – um acréscimo de R$ 312 por mês.

O movimento, porém, não é apenas reflexo da Selic. Dados do Banco Central indicam que os bancos ampliaram o spread (diferença entre o custo de captação e a taxa final) em 0,3 ponto percentual na última semana, buscando compensar o aumento da inadimplência no crédito imobiliário, que atingiu 2,1% em junho, maior nível desde 2018. 'O repasse não é automático; os bancos estão precificando risco, e isso pesa mais para quem tem entrada menor', explica a economista-chefe da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que preferiu não ser identificada.

Enquanto isso, o mercado de imóveis prontos sente o reflexo: o Índice FipeZap de preços de imóveis anunciados subiu apenas 0,2% em julho, ante 0,5% nos três meses anteriores, sinalizando que vendedores começam a ceder em negociações para fechar contratos antes que novas altas de juros cheguem. Por outro lado, o número de lançamentos na cidade de São Paulo caiu 15% na comparação mensal, segundo a Secovi-SP, com incorporadores adiando projetos por causa do custo de construção, que subiu 1,8% em julho.

Mas nem tudo é pessimismo: o programa Casa Verde e Amarela, rebatizado de 'Minha Casa, Minha Vida 3' no início deste ano, segue com taxas de 7,5% a 8,5% para famílias de baixa renda, imunes à alta da Selic. E a Caixa Econômica Federal anunciou ontem uma linha de crédito com recursos do FGTS para a classe média, com taxas a partir de 9,9% ao ano, mas com limite de financiamento de R$ 400 mil e prazo máximo de 25 anos – uma oportunidade que pode sumir caso o Copom volte a subir juros em setembro.

A dúvida agora é até onde vai o aperto monetário. O boletim Focus, divulgado nesta manhã, projeta Selic de 13,25% no fim do ano, o que pressionaria ainda mais as taxas. Para quem está planejando comprar, a recomendação de analistas ouvidos pela reportagem é clara: vale acelerar a aprovação do crédito, garantir a taxa prefixada e considerar usar parte do FGTS para reduzir o valor financiado. 'O momento é de decisão rápida, não de espera', resume um gerente de uma grande rede de imobiliárias no Rio de Janeiro.

No fim das contas, esta semana mostrou que a Selic não é um dado distante: ela bate no bolso de quem sonha com a casa própria, reordenando o mercado e separando quem consegue aproveitar as janelas que ainda existem.

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