Selic a 11,25% no Copom de julho eleva custo do crédito imobiliário em 6,5% no trimestre
Decisão do Banco Central de manter juros elevados já impacta financiamentos da Caixa e de bancos privados. Parcela do Minha Casa Minha Vida sobe 8% neste mês.
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O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 11,25% ao ano na reunião de 22 de julho, pressionando o custo do crédito imobiliário no Brasil. Dados da Abrainc divulgados nesta quarta-feira (24) mostram que o spread médio dos financiamentos imobiliários subiu 6,5% no segundo trimestre de 2026, atingindo 9,8 pontos percentuais acima da Selic.
Segundo levantamento do Secovi-SP, o valor médio das parcelas do Minha Casa Minha Vida na faixa 1,5 subiu 8% em julho, chegando a R$ 1.850. A correção reflete a indexação dos contratos à TR (Taxa Referencial), que acompanhou o aperto monetário. Para imóveis de médio padrão, financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), a taxa efetiva anual já chega a 12,7%, ante 11,9% em abril.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na coletiva pós-Copom que a inflação de serviços ainda exige cautela. "A política monetária não pode relaxar enquanto as expectativas de inflação não convergirem para a meta", disse. A decisão frustrou parte do mercado, que esperava corte de 0,25 ponto percentual após o IPCA de junho vir abaixo do esperado (0,18% ante 0,22% previsto).
Para o economista-chefe da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luis Fernando Lopes, o crédito imobiliário continuará restrito até que o Copom sinalize um ciclo de queda. "Com Selic acima de 11%, o funding da poupança perde atratividade, e os bancões reduzem a oferta de crédito. O volume financiado em junho caiu 12% na comparação com maio", calcula.
A Caixa Econômica Federal, maior agente do setor, anunciou nesta semana que revisará as condições do Programa Casa Verde e Amarela (sucessor do MCMV) se a Selic não cair até setembro. Em nota, o banco afirma que "a sustentabilidade do programa depende de juros mais baixos para manter subsídios sem comprometer o orçamento".
No mercado secundário, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) com lastro em financiamento imobiliário registraram queda de 3% no preço dos papéis indexados ao CDI, refletindo a aversão ao risco. Dados da B3 mostram que o volume de emissões de CRIs em julho recuou 18% ante o mesmo mês de 2025.
Especialistas apontam que o cenário deve se manter desafiador para compradores de imóveis. A recomendação é buscar contratos com indexação ao IPCA ou negociar taxas fixas por prazo mais curto. A próxima reunião do Copom, em 16 de setembro, será crucial para definir os rumos do crédito imobiliário no último trimestre do ano.


