Mercado BR

Selic a 11%: a conta do financiamento subiu R$ 400 na prestação em 30 dias

Com a Selic em 11,25% após o último Copom, quem comprou imóvel em junho já sente no bolso. Simulação da Abrainc mostra impacto direto nas parcelas de crédito imobiliário.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 11%: a conta do financiamento subiu R$ 400 na prestação em 30 dias

Se você está de olho em um imóvel, segure o coração — e a calculadora. Na última quarta-feira (16), o Copom manteve a Selic em 11,25% ao ano, depois de duas altas consecutivas em maio e junho. O efeito prático? Para quem financiou R$ 500 mil pelo SFH em junho, antes do primeiro aumento, a prestação mensal já subiu cerca de R$ 180. E para quem contratar agora, a diferença chega a R$ 410 em relação a abril, segundo simulação da Abrainc com base na taxa média de 9,94% a.a. do crédito imobiliário em junho (FipeZap).

O Banco Central elevou a Selic de 10,5% para 11% em maio e depois para 11,25% em junho, interrompendo o ciclo de cortes que vigorava desde agosto de 2025. A justificativa? Inflação de serviços acima do esperado e a resiliência do mercado de trabalho. Para o setor imobiliário, o sinal é claro: crédito mais caro e menor poder de compra. Em julho, as aprovações de financiamento imobiliário caíram 12% na comparação com junho, segundo dados preliminares da Abrainc.

A alta da Selic tem um efeito duplo. Por um lado, encarece o crédito — a taxa média dos financiamentos subiu de 9,48% em abril para 10,02% em julho (Anbima). Por outro, reduz a atratividade de investimentos em imóveis como proteção patrimonial, já que a renda fixa volta a render perto de 1% ao mês. 'O comprador de primeira moradia é o mais afetado, porque depende quase integralmente de financiamento', diz Mariana Costa, economista do Secovi-SP.

As incorporadoras já sentem o baque. A Cyrela reportou na última sexta-feira (18) que as vendas de julho caíram 8% em relação à média mensal do segundo trimestre. 'Estamos ajustando os lançamentos para evitar estoque parado', afirmou o CFO em teleconferência. A MRV, que atua no segmento econômico, viu a taxa de conversão de visitas em vendas cair de 22% para 17% em julho.

Para quem já tem imóvel financiado, a dica é renegociar. Com a Selic estável, alguns bancos estão oferecendo portabilidade com taxas menores para clientes com bom histórico. 'Quem financiou com taxa prefixada em 2024 pode encontrar ofertas até 1,5 ponto percentual abaixo do que paga hoje', afirma o diretor de crédito imobiliário do Itaú, em entrevista ao Estadão nesta semana.

No curto prazo, a tendência é de acomodação. O mercado precifica uma nova alta de 0,25 ponto percentual em setembro, mas a curva de juros futuros já indica possível queda em 2027. 'O pior já passou para quem comprou antes de maio. Para quem vai comprar agora, a dica é buscar imóveis na planta com parcelas fixas e usar a poupança para dar uma entrada maior, reduzindo o valor financiado', recomenda a Abrainc.

Enquanto a Selic não dá trégua, o mercado imobiliário se ajusta. Quem tem pressa pode sair na frente: em julho, os imóveis usados tiveram queda de 0,5% no preço médio (FipeZap), e os novos, estabilidade. 'Com juros elevados, o poder de barganha do comprador aumenta. Mas é preciso agir rápido antes que a oferta se ajuste', conclui a economista do Secovi.

#Selic#financiamento imobiliário#Copom#crédito imobiliário#Abrainc
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo