Selic a 10,25%: impacto no financiamento imobiliário na última semana de julho
Com a Selic mantida em 10,25% pelo Copom, bancos já ajustam taxas de crédito imobiliário. Veja como a decisão desta semana afeta parcelas e demanda no mercado de imóveis.

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 10,25% ao ano na reunião encerrada na quarta-feira (22), dentro do esperado pelo mercado. Para o financiamento imobiliário, o efeito imediato foi o repasse parcial dos juros mais altos aos novos contratos: grandes bancos como Caixa e Itaú elevaram as taxas para pessoas físicas em 0,3 ponto percentual, com a taxa efetiva média do crédito imobiliário prefixado passando para 12,8% ao ano.
Dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira (23) mostram que o volume de financiamento imobiliário com recursos das cadernetas de poupança caiu 5,2% na primeira quinzena de julho ante o mesmo período de junho, para R$ 12,7 bilhões. A alta da Selic reduz a atratividade da poupança, mas também encarece o crédito, o que tende a desacelerar a demanda.
Segundo a Abrainc, o número de lançamentos imobiliários nas principais capitais caiu 3,8% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, reflexo do aperto monetário. Porém, o mês de julho registrou uma leve retomada no número de visitas a estandes — alta de 2,1% na terceira semana, conforme Secovi-SP, indicando que compradores tentam fechar contratos antes de novas altas.
Para quem financia pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), a parcela de um imóvel de R$ 500 mil com entrada de 20% subiu cerca de 4% desde o início do ano, com a taxa prefixada de 12,5% para 13%. Já no Minha Casa, Minha Vida, as taxas subsidiadas permanecem em 4,5% a 7% ao ano, mas o valor máximo do imóvel elegível foi reduzido em 3% em julho, após reajuste de custos.
Para o comprador, o cenário exige planejamento: avaliar contratos com taxa fixa por prazo curto ou híbrida (TR+ juros fixos) pode ser vantajoso. A expectativa do mercado, segundo o último Relatório Focus, é que a Selic encerre 2026 em 11%, o que deve manter o crédito restrito. A dica dos corretores é negociar taxas e buscar subsídios do FGTS para amortização.


