Selic a 10,25% eleva parcela do Minha Casa Minha Vida em 8% neste mês
Com a Selic em 10,25% ao ano após a alta de 0,25 ponto pelo Copom em julho, financiamentos imobiliários do MCMV ficam mais caros. Simulações mostram aumento de R$ 150 na prestação para imóveis de R$ 350 mil. Entenda o impacto no custo efetivo total.

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 10,25% ao ano na última reunião de julho, pressionado pela inflação de serviços e pelo dólar acima de R$ 6,20. O aumento de 0,25 ponto percentual já repercute nos financiamentos imobiliários, especialmente no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que utiliza a Taxa Referencial (TR) mais um spread ajustado pela Selic.
Segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), a parcela mensal de um imóvel de R$ 350 mil financiado em 360 meses pelo MCMV subiu, em média, 8% neste mês — saindo de R$ 1.870 para R$ 2.020. O cálculo considera a TR fixada pelo Banco Central em 0,15% ao mês e a taxa de juros do programa, que passou de 7,5% para 8% ao ano para famílias com renda até R$ 4.400.
Para o mercado de alto padrão, o impacto é menor, mas ainda significativo. A FipeZap registrou alta de 0,4% no preço dos imóveis na última semana de julho, com o IPCA-Imobiliário acumulando 5,8% no trimestre. A Secovi-SP estima que o número de contratos de financiamento com recursos da poupança (SBPE) caia 5% em agosto, na comparação mensal, refletindo a cautela dos compradores.
O diretor de pesquisa da Anbima, Carlos Moura, afirma que "o mercado imobiliário residencial deve desacelerar para um crescimento de 3% a 4% em 2026, ante 6% no ano passado, com a Selic mais alta e o crédito mais restrito". Ele recomenda que compradores simulem cenários com taxa de juros de 9% a 10% ao ano para evitar surpresas.
Na B3, as ações de incorporadoras como MRV e Cyrela caíram 2,5% e 1,8%, respectivamente, na semana pós-Copom. Já os fundos imobiliários (FIIs) de papel, atrelados a CRIs pós-fixados, ganharam atratividade, com o Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) subindo 0,9% no mesmo período.
Para quem planeja comprar imóvel ainda em 2026, a recomendação é aguardar a definição da próxima reunião do Copom em setembro. Se a inflação ceder, pode haver espaço para manutenção ou redução dos juros, aliviando o custo do crédito imobiliário.


