Selic a 10,25% eleva parcela do MCMV em 8% neste mês e trava lançamentos
Com Copom mantendo juros elevados em julho, custo do crédito imobiliário atinge maior patamar desde 2023 e reduz ritmo de vendas de imóveis populares no segundo semestre.

O Banco Central manteve a Selic em 10,25% ao ano na reunião do Copom encerrada na última quarta-feira (22), pressionando diretamente o custo do crédito imobiliário no Brasil. Dados da Abrainc divulgados nesta sexta-feira (24) indicam que a parcela média do financiamento de unidades do Minha Casa, Minha Vida subiu 8% só em julho, para R$ 1.850 — maior valor desde dezembro de 2023.
A decisão do Copom foi unânime entre os nove diretores, com comunicado destacando que “a inflação de serviços e a incerteza fiscal exigem cautela prolongada”. Para o setor imobiliário, o impacto é imediato: segundo a Secovi-SP, os lançamentos de imóveis na capital paulista recuaram 12% na primeira quinzena de julho contra o mesmo período de 2025, e as vendas caíram 9%.
O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, afirmou em nota que “a manutenção dos juros altos inviabiliza novos projetos, especialmente no segmento econômico, onde a margem já é apertada”. Ele calcula que o custo efetivo total dos financiamentos imobiliários com recursos da poupança subiu para 12,5% ao ano, ante 11,2% em janeiro.
O mercado esperava ao menos um corte de 0,25 ponto percentual, mas a alta do IPCA-15 de junho para 4,8% (contra 4,2% em maio) e a desvalorização do real frente ao dólar pesaram na decisão. O Banco Central projeta inflação acima do centro da meta (3,0%) até o quarto trimestre, o que mantém a Selic no patamar atual ao menos até setembro.
Para quem já tem contrato assinado, a recomendação das assessorias imobiliárias é renegociar prazos ou buscar o SFH, que ainda opera com taxas ligeiramente menores (média de 9,9% ao ano). Já novos compradores devem aguardar a próxima reunião do Copom, em 16 de setembro, quando há chance de alívio caso o cenário fiscal melhore.
Apesar do cenário adverso, o segmento de alto padrão mantém aquecimento, com vendas de imóveis acima de R$ 1,5 milhão crescendo 5% no trimestre, segundo a FipeZap. Especialistas apontam que investidores estrangeiros, atraídos pelo câmbio favorável (dólar a R$ 5,80), estão comprando imóveis à vista, escapando do aperto do crédito.
A conclusão do mercado é que o segundo semestre será de ajuste forçado: incorporadoras reduzirão lançamentos e farão promoções para desovar estoque, enquanto compradores da faixa 1 do MCMV — que dependem integralmente de subsídios — podem ver a fila de espera aumentar. O próximo Copom será decisivo para o rumo do setor.


