Política

Selic a 10,25% eleva parcela do MCMV em 8% neste mês, aponta Abrainc

O último Copom manteve a taxa básica em 10,25% ao ano, mas o impacto nos juros imobiliários já é sentido: nova simulação da Abrainc mostra alta de 8% nas prestações do Minha Casa Minha Vida em julho. Saiba como o aperto monetário afeta o crédito habitacional.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 10,25% eleva parcela do MCMV em 8% neste mês, aponta Abrainc

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, na reunião de 22 de julho, manter a Selic em 10,25% ao ano pela terceira vez consecutiva. Embora a taxa tenha estabilizado após o ciclo de alta que começou em 2025, o custo do crédito imobiliário continua subindo. Segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), a parcela média do financiamento pelo Minha Casa Minha Vida (MCMV) subiu 8% apenas neste mês, reflexo da correção dos juros dos contratos atrelados à poupança e ao FGTS.

Dados do Banco Central divulgados nesta semana mostram que o saldo do crédito imobiliário com recursos direcionados cresceu 2,3% em junho, mas o número de novas contratações caiu 5,1% no trimestre atual em comparação com o mesmo período de 2025. “A alta da Selic encarece o funding dos bancos, que repassam o custo para o tomador final”, explica Eduardo Zaidan, vice-presidente da Abrainc. “No MCMV, a taxa de juros é subsidiada, mas os bancos ajustam os spreads para manter a margem.”

O impacto é mais forte nas faixas de renda média do programa, onde o subsídio é menor. Uma simulação da Abrainc indica que, para um imóvel de R$ 350 mil financiado em 30 anos pela Faixa 3, a prestação passou de R$ 1.850 em janeiro para R$ 2.000 em julho de 2026 — alta de 8,1%. Já no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), a taxa média subiu de 10,8% para 11,2% ao ano desde o início de 2026, segundo o índice FipeZap de julho.

Apesar do aperto, o governo federal anunciou nesta quinta-feira (29) que vai liberar R$ 2,3 bilhões extras do FGTS para o MCMV ainda em 2026, tentando conter a retração. A medida foi bem recebida pelo setor, que vinha pressionando o Congresso por mais recursos. “O dinheiro novo pode evitar um tombo maior nas vendas no segundo semestre, mas o efeito da Selic continuará pesando”, avalia economista-chefe da Secovi-SP, em nota.

Para quem planeja comprar um imóvel financiado, a recomendação dos especialistas é garantir a taxa de juros o mais rápido possível e evitar atrelar o contrato ao CDI. “Com a Selic estável, os bancos estão mais seletivos; prazos menores e entradas maiores ajudam a negociar taxas melhores”, orienta o diretor de crédito imobiliário da B3. “A tendência é que o mercado fique mais restritivo até o Copom sinalizar cortes.”

Enquanto isso, a expectativa é de que a Selic comece a cair no último trimestre de 2026, segundo o Relatório Focus do Banco Central desta semana. Até lá, o crédito imobiliário deve continuar pressionado, com prestações mais altas e menor número de financiamentos aprovados.

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