Política

Selic a 10,25% eleva parcela do MCMV em 8% neste mês, aponta Abrainc

Com Copom mantendo juros elevados, financiamento imobiliário recua 12% no trimestre; famílias de baixa renda são as mais afetadas pela alta das prestações.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 10,25% eleva parcela do MCMV em 8% neste mês, aponta Abrainc

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 10,25% ao ano na reunião da última quarta-feira (23), frustrando expectativas de corte e impactando diretamente o crédito imobiliário. Segundo levantamento da Abrainc divulgado nesta sexta-feira (26), as parcelas de financiamentos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) subiram, em média, 8% apenas em julho, pressionadas pela correção das taxas de juros atreladas à TR mais a parcela prefixada dos bancos.

No trimestre atual (abril a junho), o volume de concessões de crédito imobiliário com recursos da poupança caiu 12% na comparação com o trimestre anterior, para R$ 23,4 bilhões, segundo dados do Banco Central. A alta da Selic desde o início de 2025 — de 9,5% para os atuais 10,25% — encareceu o custo dos empréstimos e reduziu o poder de compra das famílias. Para imóveis de até R$ 350 mil, a taxa média anual saltou de 8,9% para 9,7% em doze meses, de acordo com a FipeZap.

O cenário é especialmente desafiador para o programa Minha Casa, Minha Vida. A Abrainc estima que, com a Selic atual, cerca de 30 mil famílias deixaram de ser elegíveis para o financiamento neste mês por não se enquadrarem nos limites de renda comprometida. “Cada 0,25 ponto percentual de alta na Selic exclui aproximadamente 15 mil famílias do acesso à casa própria”, afirmou o presidente da associação, em nota.

A Secovi-SP também registrou retração nas vendas de imóveis novos na capital paulista em junho, com queda de 7% ante maio. O índice de confiança do consumidor para compra de imóvel, medido pela FGV, recuou 3,2 pontos no trimestre, refletindo o temor com o endividamento. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a política monetária contracionista, focada no controle da inflação (ainda acima do centro da meta, em 4,5% no IPCA de junho), deve continuar pressionando o setor pelos próximos meses.

Para quem já contratou financiamento, a orientação é renegociar taxas ou buscar alternativas como o uso do FGTS para amortização. O Banco Central, em seu Relatório de Estabilidade Financeira de julho, alertou que o aumento da inadimplência no crédito imobiliário — de 2,1% para 2,5% no trimestre — merece monitoramento. “O aperto monetário prolongado testa a resiliência das famílias e das instituições financeiras”, destaca o documento.

A expectativa do mercado, segundo o boletim Focus desta semana, é de que a Selic encerre o ano em 9,75%, o que poderia aliviar parcialmente o custo do crédito. Mas, enquanto o Copom não sinalizar alívio, o sonho da casa própria segue mais distante para milhões de brasileiros.

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