Política

Selic a 10,25%: Copom eleva taxa e crédito imobiliário sobe 1,5% em julho

Com a alta de 0,25 pp decidida na última quarta-feira, a taxa básica chega ao maior patamar do ano. Linhas do SFH e do MCMV já sentem o impacto, com elevação de spreads e redução de novos contratos.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Selic a 10,25%: Copom eleva taxa e crédito imobiliário sobe 1,5% em julho

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião do último dia 22 de julho, fixando a taxa básica de juros em 10,25% ao ano. A decisão, já esperada pelo mercado, representa o quarto aumento consecutivo e acende um sinal de alerta para o mercado imobiliário brasileiro, especialmente para as novas contratações de crédito habitacional.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip) divulgados nesta segunda-feira, as taxas médias dos financiamentos pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) avançaram de 9,3% para 9,6% ao mês, em julho, refletindo parcialmente o repasse dos juros mais altos. Já os contratos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tiveram alta de 0,8% na taxa efetiva, chegando a 7,2% ao ano.

A alta dos juros básicos pressiona diretamente as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), que perderam atratividade relativa. Segundo a B3, o volume de emissões de LCIs em julho caiu 12% na comparação com junho, e os FIIs acumulam desvalorização de 1,8% no mês, maior queda desde janeiro.

O economista-chefe da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Marcos Kahtalian, afirmou em nota que "cada 0,25 pp de alta na Selic reduz em aproximadamente 2% o poder de compra do mutuário de média renda". A entidade projeta que, mantida a trajetória de alta, as vendas de imóveis residenciais no quarto trimestre podem encolher 5% ante o mesmo período de 2025.

A reação do setor foi imediata. Grandes bancos como Caixa Econômica Federal e Bradesco já anunciaram aumento de 0,2 a 0,4 ponto percentual em suas linhas de crédito imobiliário com recursos da poupança. A Caixa, maior financiadora do país, informou que os novos contratos terão taxa a partir de 8,99% ao ano, contra 8,69% no início de julho.

Para o comprador final, o impacto é sentido na parcela mensal. Em um financiamento de R$ 350 mil pelo SFH, com prazo de 30 anos, a prestação subiu de R$ 2.890 para R$ 2.960 após a última alta da Selic, um acréscimo de R$ 70 por mês. Especialistas recomendam que quem está em fase de negociação busque travar as taxas o quanto antes, antes de novos aumentos previstos para o Copom de setembro.

O Banco Central sinalizou que o ciclo de aperto pode continuar caso a inflação de serviços não arrefeça. Analistas do mercado, segundo o Boletim Focus desta semana, já precificam Selic terminal em 11% no fim de 2026. Para o crédito imobiliário, isso significa que o custo do financiamento tende a subir mais antes de estabilizar.

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