São Paulo aprova zoneamento que libera 42 novos arranha-céus na Zona Sul
Nova lei municipal, sancionada nesta quarta-feira (29), altera o Plano Diretor e permite edifícios residenciais de até 50 andares em áreas antes restritas. Impacto no mercado imobiliário já é sentido com alta de 8% nos lançamentos no trimestre.

A Prefeitura de São Paulo sancionou nesta quarta-feira (29) a Lei de Zoneamento 2026, que libera a construção de 42 novos arranha-céus residenciais na Zona Sul da capital. A mudança afeta bairros como Campo Belo, Brooklin e Santo Amaro, onde o gabarito máximo passou de 28 para 50 andares em vias estruturais.
De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), a nova legislação visa adensar corredores de transporte público, como a futura Linha 20-Rosa do metrô, prevista para 2030. O zoneamento anterior datava de 2014 e não havia sido revisado desde então.
O impacto no mercado imobiliário já é mensurável. Dados do Secovi-SP mostram que, apenas na última semana, os lançamentos na região cresceram 12% em relação à média mensal. A Abrainc estima que o valor dos terrenos nessas áreas pode subir até 25% nos próximos seis meses.
“A medida é positiva para destravar a oferta imobiliária, mas exige contrapartidas de mobilidade e infraestrutura”, afirma Carlos Alberto Borges, diretor de Urbanismo do Secovi-SP. O sindicato do setor acompanhou a tramitação e propôs ajustes no texto final.
A oposição na Câmara Municipal criticou o ritmo acelerado da aprovação. Em nota, o vereador Antônio Donato (PT) afirmou que a lei favorece incorporadoras em detrimento de moradias populares. A Prefeitura rebateu, destacando que 20% das unidades nos novos empreendimentos deverão ser destinadas ao programa Casa Paulista.
Com a Selic em 10,25%, a expectativa do mercado é de que os primeiros lançamentos ocorram já no quarto trimestre de 2026. Investidores de fundos imobiliários devem acompanhar as ofertas públicas na B3, que já registraram aumento de 5% nas captações direcionadas a projetos na Zona Sul neste mês.


