Robôs já fazem 30% das entrevistas de emprego no Brasil; veja como driblar
Nesta semana, pesquisa revela que quase um terço dos processos seletivos usam IA para triagem. Entenda como se destacar e não ser eliminado antes do contato humano.

A inteligência artificial deixou de ser coadjuvante e assumiu papel central nos processos seletivos brasileiros. Segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (02/09) pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), 30% das entrevistas de emprego realizadas no país neste trimestre já são conduzidas por robôs, sem nenhuma interação humana na primeira etapa. O número representa um salto de 12 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025.
A tendência, que parecia distante, tornou-se rotina para quem busca recolocação. Empresas de tecnologia e bancos lideram a adoção, mas o uso se espalha por setores como varejo e serviços financeiros. Em São Paulo, onde a taxa de desemprego foi de 6,8% em agosto, segundo o IBGE, a disputa por vagas é acirrada, e entender o algoritmo pode ser a diferença entre avançar ou ser descartado.
Entrevistas por vídeo com análise de microexpressões, testes de raciocínio cronometrados e chatbots que avaliam o tom de voz são apenas algumas das ferramentas usadas pela IA. Especialistas apontam que o robô busca palavras-chave no currículo e avalia a clareza das respostas, mas ignora aspectos humanos como entusiasmo e empatia, o que gera críticas sobre a desumanização do processo.
Para o consultor de carreiras da Robert Half, Carlos Magno, a dica é tratar o robô como um interlocutor real: "Mantenha contato visual com a câmera, fale devagar e evite gírias, pois o sistema ainda tem dificuldade com variações regionais", explica. Outra recomendação é pesquisar a empresa e usar termos técnicos da área, que são rastreados pelo algoritmo.
Entre os casos de sucesso, a engenheira Paula Andrade, de 29 anos, conta que foi pré-selecionada por um robô após refinar seu currículo com verbos de ação e números. "Na primeira tentativa, fui descartada. Depois de ajustar o perfil para o formato lido pela IA, passei para a etapa humana e consegui a vaga", relata.
Especialistas preveem que a tendência continue crescendo, especialmente com o avanço de modelos generativos que prometem entrevistas ainda mais realistas. Para quem está no mercado, a dica é se adaptar: cursos gratuitos de inteligência artificial e simulações de entrevistas com chatbots podem ser encontrados em plataformas como o Senai, inclusive com turmas abertas neste mês.
Em meio a essa revolução, a discussão sobre ética e vieses algorítmicos ganha força. No Congresso, tramita projeto de lei que obriga empresas a informar quando a seleção é feita por IA, enquanto o Ministério do Trabalho estuda diretrizes para garantir transparência. Enquanto isso, o trabalhador brasileiro precisa aprender a navegar nesse novo cenário, onde o primeiro passo para conseguir um emprego pode ser convencer uma máquina.


