Revelado: MCMV 2026 terá 2 milhões de casas e juros a 8,5% até dezembro
A nova fase do Minha Casa, Minha Vida amplia o subsídio para famílias de baixa renda. Veja quem consegue financiar com FGTS e quais estados terão prioridade até o fim do ano.

O governo federal anunciou nesta semana a maior expansão do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) desde a sua recriação, em 2023. A meta para 2026 é contratar 2 milhões de novas unidades, com orçamento de R$ 40 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A novidade já vale para propostas aprovadas a partir de setembro e inclui redução da taxa de juros para 8,5% ao ano para famílias com renda de até R$ 2.640. A medida foi detalhada pela secretaria nacional de Habitação em evento com a Abrainc e a Caixa Econômica Federal na última segunda-feira (31/08).
Para quem está no mercado, o impacto é imediato: a redução de 1 ponto percentual na taxa de juros para a faixa 1 do programa — antes em 9,5% — pode diminuir a parcela do financiamento em até R$ 180 por mês em um imóvel de R$ 200 mil. Já as famílias com renda mensal de até R$ 4.400, que se enquadram na faixa 2, terão condições especiais com o novo Fundo de Garantia, que agora permite usar até 35% do saldo do FGTS como entrada. Segundo a Caixa, a medida deve injetar R$ 12 bilhões no setor até dezembro.
A ampliação do programa vem acompanhada de uma mudança no antigo Casa Verde Amarela, que foi oficialmente extinto em julho deste ano. Os contratos antigos seguem válidos, mas novas propostas já migram para o MCMV. O ministro das Cidades, em declaração à imprensa na quarta-feira (02/09), afirmou que o objetivo é reduzir o déficit habitacional em 25% até 2030. "Com esta taxa de 8,5%, o Brasil volta a ter o menor custo de moradia popular da última década", destacou o presidente da Abrainc, Luiz França.
No trimestre atual, o mercado já sente os efeitos: as vendas de imóveis na planta cresceram 18% em relação ao primeiro semestre, segundo dados da Abrainc divulgados no início de agosto. O programa responde por 42% de todos os financiamentos imobiliários do país, conforme dados da B3. Mas atenção: as novas condições valem apenas para projetos que tenham sido aprovados até 31 de dezembro. Após essa data, a taxa voltará a ser revisada, e o secretário de Habitação já sinalizou que, sem a aprovação do novo marco fiscal, os juros podem subir.
Para quem deseja entrar no programa, o caminho inclui a atualização do cadastro no site do Ministério das Cidades. A Caixa liberou, nesta terça-feira (01/09), a consulta de disponibilidade de subsídios por município. As famílias que já têm o contrato assinado não precisam fazer, mas é necessário ficar atento ao prazo de 30 dias para apresentar a documentação complementar exigida pela nova portaria. A recomendação dos especialistas é simular o financiamento com antecedência e avaliar o uso do FGTS como entrada.
Além do MCMV, o Banco Central anunciou no último Copom (02/09) uma linha especial de crédito com recursos da poupança para a construção de imóveis populares, com juros de 8% ao ano. Segundo analistas do setor, essa linha deve destravar R$ 10 bilhões em obras paradas. Mas há um fator de risco: a alta da inflação de materiais, que subiu 4,5% no acumulado do ano, pode encarecer as obras e pressionar o preço final. Por isso, o setor pede que o governo antecipe os aportes do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) até outubro.
Em resumo, o MCMV 2026 é uma oportunidade concreta para quem busca a casa própria com condições reduzidas. Mas o prazo é curto: apenas até o fim do ano. Os interessados devem agir rápido, pois a demanda, segundo a Abrainc, já supera a oferta de terrenos em 30%. Quem deixar para depois pode encontrar juros maiores e poucas unidades disponíveis.


