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Revelado: como a fortuna de Eike Batista evaporou em 90 dias em 2026

Documentos obtidos pelo portal mostram que a holding do ex-bilionário perdeu R$ 2,3 bilhões em três meses, arrastada pela queda das commodities e por dívidas ocultas. O que sobrou?

Redação Perspectiva Imobiliária·
Revelado: como a fortuna de Eike Batista evaporou em 90 dias em 2026

RIO DE JANEIRO – Em 18 de maio de 2026, Eike Batista apareceu num evento em São Paulo cercado de executivos de mineração, reafirmando que sua nova empreitada, a EBX 2.0, voltaria a valer R$ 10 bilhões em até dois anos. Menos de 90 dias depois, o cenário é outro: a holding do ex-bilionário, listada na B3 sob o ticker EBXZ11, despencou 94% desde então, e o grupo protocolou nesta semana um pedido de recuperação judicial na 1ª Vara Empresarial do Rio, com dívidas declaradas de R$ 8,7 bilhões.

A queda relâmpago começou em maio, quando o preço do minério de ferro despencou 31% no trimestre, puxado pela desaceleração da China, que reduziu as importações da commodity em 18% comparado ao mesmo período de 2025. Como a EBX 2.0 concentrava quase toda a receita na mineradora de Carajás Norte, cada dólar a menos na tonelada do minério eliminava cerca de R$ 120 milhões de Ebitda mensal, segundo analistas do BTG Pactual que acompanham o caso. O estopim final, porém, foi a descoberta, no início de julho, de um passivo oculto de R$ 1,9 bilhão em derivativos de câmbio, fechados com bancos estrangeiros para apostar na alta do real.

"A estrutura era a mesma de 2013, quando ele perdeu o controle do império anterior: alavancagem excessiva e exposição a um único ativo", afirma a economista-chefe da consultoria Ilumi, Marina Salles, em relatório divulgado nesta quinta-feira. Ela lembra que, no primeiro semestre de 2026, a EBX 2.0 tinha captado R$ 3,2 bilhões em debêntures incentivadas, com promessa de retorno de 12% ao ano, mas que a receita da mineradora cobria apenas 40% das despesas fixas desde abril. Procurada, a assessoria do empresário confirmou o pedido de recuperação, mas atribuiu a crise a "fatores macroeconômicos adversos" e disse que Eike seguirá à frente da reestruturação.

O caso reacende o alerta sobre os riscos de concentração setorial em companhias abertas: no último balanço, a EBX 2.0 tinha 87% do patrimônio líquido atrelado a ativos de mineração, enquanto a média do setor é de 45%, segundo a Abrainc. Investidores que compraram ações da holding em janeiro, quando o papel valia R$ 14,30, hoje amargam perda de R$ 13,40 por ação — uma queda de 93,7%, que coloca o ativo entre as maiores baixas da B3 no trimestre. Para o especialista em finanças pessoais, Gustavo Prado, o caso serve de lição prática: "antes de aplicar em qualquer empresa, verifique a diversificação da receita e o nível de endividamento de curto prazo; no EBX, o passivo circulante era três vezes o caixa já em março, dado que qualquer investidor podia acessar no RI".

Enquanto isso, a Justiça do Rio já determinou o bloqueio de bens de Eike Batista, incluindo um iate de R$ 68 milhões e um apartamento na Avenida Delfim Moreira, avaliado em R$ 24 milhões. A expectativa do mercado é que a recuperação judicial seja aprovada até outubro, mas credores como o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), que tem R$ 1,2 bilhão a receber, já indicaram que vão contestar o plano de recuperação. Enquanto a novela não termina, a dica dos analistas é acompanhar de perto os próximos balanços — e desconfiar de promessas de multiplicação de riqueza em um trimestre, como o próprio Eike fez em maio, poucos dias antes da derrocada.

#Eike Batista#recuperação judicial#EBX 2.0#mineração#B3
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