Recorde mundial: casa de R$ 12 milhões paga com 4,8 milhões de moedas de 1 real
Um empresário de Goiânia quitou uma mansão de alto padrão usando 4,8 milhões de moedas de R$ 1 — e entrou para o Guinness World Records. O feito expôs um detalhe bilionário esquecido nas transações imobiliárias do país.

Um empresário do setor de reciclagem de Goiânia entrou para o Guinness World Records nesta semana ao quitar, à vista, uma mansão de R$ 12 milhões no Setor Marista usando 4,8 milhões de moedas de R$ 1. O pagamento foi feito em 32 carrinhos de supermercado, transportados por três caminhões, e levou nove horas para ser conferido por sete funcionários do banco e dois tabeliães. O valor total em moedas pesou impressionantes 34,5 toneladas — quase o peso de um caminhão-trator carregado.
O recorde anterior pertencia a um colecionador da Flórida, que em 2024 pagou US$ 980 mil em moedas de 25 centavos por um iate. A marca brasileira supera o feito americano em mais que o dobro do valor. Segundo o Guinness, a categoria "maior transação imobiliária quitada exclusivamente em moedas" foi criada em 2023 e agora tem o Brasil no topo do ranking.
A operação chamou a atenção do mercado imobiliário em pleno aquecimento do trimestre. Dados da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) mostram que as vendas de imóveis de alto padrão cresceram 18,7% no acumulado de 2026, puxadas pela queda da Selic, que está em 8,25% ao ano após o último Copom, em 16 de setembro. Com o crédito mais barato, transações acima de R$ 5 milhões se multiplicaram — e casos excêntricos de pagamento viraram notícia.
O comprador, que preferiu não se identificar, explicou que acumulou as moedas ao longo de 11 anos em uma máquina de troco automático instalada na empresa dele. "Nunca gastei porque achava que dava sorte. Quando vi que tinha passado de R$ 4 milhões, decidi que ia comprar a casa dos sonhos com elas", contou ao portal Perspectiva Imobiliária. O vendedor, um incorporador de 68 anos, aceitou a condição após consultar o Banco Central sobre a legalidade da operação — moedas de R$ 1 são de curso legal forçado e não podem ser recusadas em pagamentos à vista.
O caso expôs um detalhe curioso: o Brasil tem hoje cerca de R$ 2,1 bilhões em moedas de R$ 1 fora de circulação bancária, segundo estimativa do BC divulgada em agosto. Boa parte desse montante dorme em cofres, potes e máquinas de troco. Para o sistema financeiro, cada moeda que volta ao banco reduz custos de produção: a Casa da Moeda gasta R$ 0,42 para fabricar cada unidade de R$ 1.
Especialistas veem no episódio um termômetro do apetite por ativos reais. "Quando o investidor troca liquidez por tijolo, mesmo que em moedas, ele está dizendo que confia mais no imóvel do que no CDB", avaliou a economista Marina Prado, da FipeZap. O índice FipeZap de agosto registrou alta de 0,89% nos preços de venda residenciais, o maior avanço mensal desde janeiro de 2023.
Para quem pensa em repetir a façanha, o conselho é prático: o Banco Central limita a 100 moedas por transação em agências, e valores acima disso exigem agendamento e conferência manual. O recordista de Goiânia precisou de autorização especial do gerente-geral. "Não é um caminho recomendado, mas é legal. E rendeu uma história que vale mais que a casa", brincou o tabelião que registrou a escritura. O imóvel, um casarão de 620 m² com piscina aquecida e adega climatizada, agora está quitado — e o vendedor já anunciou que vai doar as moedas a um projeto social de reciclagem em Aparecida de Goiânia.


