Recorde: imóveis de luxo em Dubai sobem 214% e batem NY e Londres em 2026
Enquanto SP e Rio lutam contra a Selic alta, Dubai vive boom histórico: preços de coberturas e mansões dobraram em 18 meses. Veja o que explica a disparada e se há bolha.

O mercado imobiliário de Dubai acaba de registrar o maior aumento de preços da sua história recente. Segundo dados divulgados nesta semana pela consultoria Knight Frank, o preço médio dos imóveis de luxo no emirado subiu 214% nos últimos 18 meses, superando Nova York, Londres e até Mônaco. Só no segundo trimestre de 2026, a alta foi de 38%, puxada por coberturas na área da Palm Jumeirah e por mansões em Emirates Hills.
O que explica esse salto? Especialistas apontam uma combinação de fatores: a migração de milionários russos e chineses, os vistos gold para investidores e a isenção total de imposto de renda sobre ganho de capital. No primeiro semestre, foram vendidas mais de 1.2 mil unidades acima de US$ 10 milhões, volume 3 vezes maior que no mesmo período de 2025, segundo a corretora local Betterhomes.
Enquanto isso, o Brasil vive movimento oposto. Com a Selic em 14,75% ao ano, decidida no último Copom de julho, o financiamento imobiliário ficou mais caro e os preços reais, descontada a inflação, caíram 2,3% no trimestre, segundo o Índice FipeZap. A comparação é instrutiva: enquanto o investidor brasileiro foge dos FIIs por causa dos juros, o capital global corre para o Golfo.
Mas nem tudo são rosas. O Banco Central dos Emirados já sinalizou que vai apertar regras de crédito para evitar uma bolha. Em junho, o governo local elevou para 30% a entrada mínima em imóveis de alto padrão. Mesmo assim, a procura continua forte: a Expo 2026 e a Copa do Mundo de 2030, que será sediada em Dubai, alimentam a expectativa de valorização futura.
Para o investidor brasileiro, fica a lição: diversificar internacionalmente, mesmo que via fundos listados na B3, pode ser mais rentável que esperar a volta do crédito barato. É claro que a Selic, se cair para 12% no fim do ano, como projetam alguns economistas, pode reaquecer o mercado local. Mas quem tiver exposição global pode surfar essa onda agora.
Por fim, vale lembrar que Dubai já quebrou recordes em 2008, com queda de 60% nos preços depois do estouro da bolha. Portanto, o momento é de oportunidade, mas também de cautela: quem entrar agora deve estar preparado para volatilidade. A dica dos especialistas é investir em locais com demanda real, como Dubai Marina e Downtown, e fugir de projetos especulativos.
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