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Reality show 'A Herança' movimenta R$ 2,3 bilhões e vira máquina de dinheiro na TV

Fenômeno pop deste semestre, o reality da TV Globo já rendeu mais que a venda de 500 apartamentos de luxo em SP. Bastidores revelam contratos milionários, merchandising e um mercado paralelo de apostas que ninguém vê.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Reality show 'A Herança' movimenta R$ 2,3 bilhões e vira máquina de dinheiro na TV

A estreia da segunda temporada de 'A Herança', reality show da TV Globo que coloca herdeiros para administrar fortunas reais, virou o assunto mais comentado do país nesta semana. Mas por trás das câmeras, o que se desenha é um dos maiores conglomerados financeiros da história da televisão brasileira. Segundo dados obtidos com exclusividade pela reportagem, o programa deve movimentar R$ 2,3 bilhões em receitas diretas e indiretas até dezembro — cifra que supera o valor total de 500 apartamentos de alto padrão vendidos na cidade de São Paulo no último trimestre, segundo a Abrainc.

O valor é resultado de uma engenharia que mistura patrocínio master (R$ 480 milhões da seguradora Porto Real), merchandising de 14 marcas (estimado em R$ 310 milhões), venda de formatos internacionais (R$ 220 milhões) e um contrato de licenciamento com a plataforma de streaming Globoplay que, sozinho, garante R$ 650 milhões em dois anos. O restante vem de ativações digitais, produtos licenciados e um acordo com a casa de apostas BetX, que desembolsou R$ 180 milhões pelo naming rights da prova final.

Nos bastidores, os participantes não são apenas rostos anônimos. Cada confinado recebe uma bolsa de R$ 12 mil por semana, além de um contrato de imagem que garante 15% sobre qualquer publicidade pós-programa. Os finalistas, segundo fontes ligadas à produção, já têm contratos assinados com agências de influência que podem render até R$ 4 milhões anuais. A vencedora da primeira edição, a empresária Marina Duarte, viu seu patrimônio saltar de R$ 8 milhões para R$ 47 milhões em oito meses, conforme apurou a reportagem com base em registros de marcas e contratos publicitários.

O sucesso do formato também aquece um mercado paralelo: as apostas esportivas. A BetX, patrocinadora oficial, registrou um volume de R$ 890 milhões em apostas apenas na primeira semana de votação, um recorde para o setor de entretenimento. Esse movimento chamou a atenção do Banco Central, que estuda incluir realities shows como categoria específica de risco em seu relatório trimestral de estabilidade financeira. Procurada, a autarquia não comentou.

Para o professor de economia da FGV, Ricardo Menezes, o fenômeno reflete uma mudança no comportamento do consumidor. 'O público não quer só assistir, quer participar financeiramente. Isso cria um ecossistema que vai muito além da audiência. É a economia da atenção convertida em PIB', afirma. Ele estima que, se o ritmo atual se mantiver, o setor de entretenimento de realidade pode representar 0,7% do PIB brasileiro em 2027.

Enquanto isso, a TV Globo já negocia a terceira temporada com um orçamento 40% maior e a entrada de um novo sócio internacional. A expectativa é que o programa ultrapasse a marca de R$ 3 bilhões em receitas no próximo ano, consolidando-se como o maior case de monetização da história da TV aberta no país. Para os investidores, fica a lição: o dinheiro do entretenimento não está mais só na tela — está nos contratos, nas apostas e nas marcas que orbitam o espetáculo.

#reality show#TV Globo#mercado publicitário#apostas#economia do entretenimento
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