Ranking: os 27 bairros que mais valorizaram no Brasil no 2º trimestre
Levantamento do FipeZap mostra alta de até 8,4% em três meses; veja quais cidades lideram e por que o Nordeste roubou a cena

Enquanto a bolsa oscila e o CDI segue em dois dígitos, o tijolo voltou a ser o queridinho do brasileiro. O FipeZap divulgou nesta semana o ranking dos 27 bairros com maior valorização imobiliária no segundo trimestre de 2026, e o resultado surpreende: a alta média foi de 5,1%, mais que o dobro do IPCA previsto para o período, de 2,3%. Mas o que chama atenção não é apenas o número — é a geografia da valorização.
Pela primeira vez desde 2023, o Nordeste lidera o topo do ranking, com seis dos dez primeiros colocados. Em Fortaleza, o bairro Meireles viu o metro quadrado saltar 8,4%, puxado pela entrega de dois empreendimentos de alto padrão e pela chegada da nova sede de um grande banco digital. Já em Maceió, a orla de Ponta Verde avançou 7,9%, impulsionada pelo turismo de verão fora de época e pela retomada do programa de retrofit de prédios antigos.
Na contramão, São Paulo e Rio de Janeiro, que dominaram os rankings nos últimos anos, aparecem apenas com três representantes juntos. O destaque paulistano é a Vila Mariana, com 6,2% de alta, reflexo da linha 6-Laranja do metrô, que entrou em operação plena em maio. No Rio, a Freguesia, na Ilha do Governador, subiu 5,8%, beneficiada pela nova ponte que liga o bairro ao aeroporto Internacional — inaugurada em abril, a obra reduziu o tempo de deslocamento para o centro em 40 minutos.
O economista-chefe da Abrainc, Ricardo Mendes, explica o fenômeno em entrevista ao Perspectiva Imobiliária: "A valorização não está mais restrita aos eixos de renda alta. O que vemos é uma migração para cidades médias e capitais do Nordeste, onde o déficit habitacional é maior e a renda per capita está crescendo acima da média nacional. Além disso, os fundos imobiliários estão de olho em ativos fora do eixo Rio-SP, o que cria um ciclo virtuoso de lançamentos e infraestrutura".
Outro fator que ajudou a aquecer o segundo trimestre foi a decisão do Copom de junho, que manteve a Selic em 11,75% após dois cortes consecutivos. Com a inflação sob controle, os bancos reduziram as taxas do financiamento imobiliário em 0,3 ponto percentual, na média, para 9,9% ao ano — o menor nível desde 2021. Segundo a B3, as emissões de CRIs e LCIs cresceram 34% no período, abastecendo a carteira de crédito imobiliário, que deve fechar o ano com R$ 120 bilhões em novos contratos.
O ranking completo do FipeZap traz ainda surpresas como o bairro Cidade Nobre, em Uberlândia (MG), que subiu 6%, e o centro de Joinville (SC), com 5,5%, ambos impulsionados por polos tecnológicos locais. Para o investidor, o recado é claro: diversificar geograficamente. "Quem comprou apenas em São Paulo no início do ano perdeu a chance de ganhar 8% no Nordeste", afirma a analista da consultoria Brain, Paula Tavares. "Mas atenção: valorização passada não garante retorno futuro. O momento é de escolher bairros com infraestrutura em implantação e renda em crescimento."
Para quem quer aproveitar a onda sem sair de casa, os fundos imobiliários de tijolo com exposição a esses mercados — como os que possuem ativos em Fortaleza e Recife — tiveram rentabilidade média de 8,9% no trimestre, superando o CDI. A dica é acompanhar os relatórios gerenciais de agosto, que trarão os primeiros números do terceiro trimestre, e ficar de olho no comportamento da inflação: o próximo Copom, marcado para setembro, pode voltar a cortar a Selic, o que tende a destravar ainda mais o crédito e, consequentemente, a valorização. O portfólio que ignora o Nordeste em 2026 pode estar deixando dinheiro na mesa.


