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Ranking: 5 cidades onde o m² subiu até 18% no trimestre; veja se a sua entrou

Levantamento exclusivo com dados de 50 cidades mostra que o interior puxou a alta, com Cuiabá liderando. Entenda o que moveu os preços e se ainda há janela.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Ranking: 5 cidades onde o m² subiu até 18% no trimestre; veja se a sua entrou

O segundo trimestre de 2026 consolidou uma virada no mercado imobiliário brasileiro: pela primeira vez em dois anos, as capitais do interior superaram as metrópoles do Sudeste em valorização. Levantamento obtido com exclusividade pela Perspectiva Imobiliária, com base em dados da FipeZap e da Abrainc, aponta que o preço médio do metro quadrado subiu 4,8% no país entre abril e junho, com destaque para cidades médias que atraem novos polos logísticos e de serviços.

Cuiabá lidera o ranking, com alta de 18,2% no período, puxada pela conclusão da ferrovia Centro-Oeste e pela chegada de três grandes centros de distribuição de redes varejistas. Em seguida aparecem Joinville (SC), com 14,7%, e São José do Rio Preto (SP), com 12,9%. Entre as capitais, apenas Goiânia (8,1%) e Fortaleza (6,3%) entraram no top 5, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro ficaram abaixo da média nacional, com 3,2% e 2,9%, respectivamente.

O que explica esse movimento? Os juros mais altos, mantidos pelo Copom em 13,75% ao ano na reunião de junho, frearam a demanda por imóveis de alto padrão nas grandes capitais, mas a renda real em ascensão no interior, impulsionada pelo agronegócio e pela indústria 4.0, sustentou a compra de imóveis de até R$ 500 mil. Segundo o economista-chefe da Abrainc, André Pedrosa, "o comprador do interior é menos sensível ao crédito, pois boa parte das transações é feita à vista ou com recursos do FGTS e de consórcios".

Outro fator relevante foi a migração de trabalhadores remotos para cidades com melhor custo de vida e infraestrutura em expansão. Joinville, por exemplo, viu a população crescer 2,1% em 12 meses, e a taxa de vacância de imóveis comerciais caiu para 8,4%, a menor dos últimos cinco anos. Em São José do Rio Preto, a abertura de um campus de medicina e a construção de um shopping de luxo no primeiro semestre puxaram a demanda por lançamentos de médio padrão, que esgotaram 70% das unidades em até 30 dias do lançamento.

Para o investidor que busca oportunidades, os especialistas ouvidos recomendam atenção redobrada a cidades como Londrina (PR), que subiu 5,2% no trimestre, e Campina Grande (PB), com 4,9%, ainda abaixo do potencial de médio prazo. No entanto, o alerta fica para o risco de bolha em Cuiabá: o preço médio do m² já está 34% acima da média histórica da cidade, e uma eventual desaceleração do agronegócio pode corrigir o valor.

A boa notícia é que o Banco Central sinalizou, na ata do último Copom, a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic ainda em setembro, o que deve aquecer o crédito imobiliário no último trimestre. Isso pode estender a alta para cidades que ficaram de fora do ranking, como Belém e Manaus, que registraram estabilidade no segundo trimestre, mas acumulam demanda reprimida.

Se você está pensando em comprar ou investir, o momento exige seletividade: foque em cidades com geração de emprego consistente e estoque baixo de imóveis, e evite as que subiram demais sem fundamento. Os dados completos do ranking das 50 cidades estão disponíveis no relatório da FipeZap, divulgado nesta semana, e podem ser acessados gratuitamente no site da associação.

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