Ranking 2º tri 2026: as cidades brasileiras com maior valorização imobiliária
Três capitais do Nordeste lideram alta de preços de imóveis no segundo trimestre de 2026, puxadas por demanda aquecida e infraestrutura em expansão. Confira o ranking completo e as tendências para o segundo semestre.

O mercado imobiliário brasileiro iniciou o segundo semestre de 2026 com um ranking claro de valorização. Dados do Índice FipeZAP divulgados nesta quarta-feira (22) mostram que Fortaleza, Salvador e Recife lideram a alta de preços no segundo trimestre, com variações de 3,2%, 2,9% e 2,7%, respectivamente, sobre o trimestre anterior. O índice nacional subiu 1,5% no período, ritmo superior aos 1,1% do primeiro trimestre.
O levantamento considera preços médios de apartamentos anunciados em 50 cidades, ponderados por metro quadrado. Em Fortaleza, o avanço reflete a entrega de novos empreendimentos na região do Mucuripe e a chegada de investidores institucionais, segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). "O Nordeste tem se beneficiado de um movimento de interiorização do turismo e de incentivos fiscais estaduais para construção civil", afirma economista-chefe da entidade.
Além das capitais nordestinas, chama a atenção o desempenho de cidades médias como São José dos Campos (SP), com alta de 2,4%, e Vitória (ES), com 2,1%. Ambas registram crescimento consistente há três trimestres, impulsionado por projetos de mobilidade urbana e investimentos em tecnologia. A taxa básica de juros, mantida em 10,75% ao ano pelo Copom nesta semana, ainda pesa no crédito imobiliário, mas a demanda aquecida por imóveis de alto padrão e a oferta restrita em regiões nobres têm sustentado os preços.
Para o segundo semestre, a expectativa da Secovi-SP é de que as cidades com maior valorização no trimestre continuem em destaque, especialmente se houver nova redução da Selic. "A inflação controlada e o mercado de trabalho aquecido criam ambiente favorável para a moradia própria, mas a oferta de terrenos em áreas centrais é o grande gargalo", afirma estudo divulgado pela entidade na semana passada. O relatório aponta que em Fortaleza, a escassez de terrenos na orla elevou os lançamentos em bairros como Aldeota e Meireles, com preços acima de R$ 12 mil/m².
O Banco Central, em seu último Relatório de Estabilidade Financeira, destacou que o crédito imobiliário cresceu 8% nos primeiros cinco meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, com destaque para as regiões Norte e Nordeste. Apesar do otimismo, investidores devem ficar atentos à inflação de custos de construção, que subiu 0,8% em junho, segundo o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).
Para quem busca oportunidades, as cidades brasileiras com maior valorização no trimestre indicam onde a demanda está mais aquecida. A dica dos analistas é avaliar a relação entre preço e renda local: em Salvador, por exemplo, o preço médio do m² (R$ 8.450) ainda é 15% inferior ao de São Paulo, mas a renda média cresceu 4% no último ano. "O movimento de migração de profissionais remotos para capitais com qualidade de vida e custo menor deve manter as cidades nordestinas no topo do ranking nos próximos meses", conclui relatório da Brain Inteligência Estratégica.


