R$ 4 bilhões por ano: o custo da vida de luxo de um bilionário em 2026
Manter jato, iate e mansões espalhadas pelo mundo sai mais caro que nunca. Levantamento da Wealth-X mostra que os 10 maiores bilionários gastam R$ 1,2 bi só com manutenção de propriedades. Veja os números.

Enquanto o brasileiro médio luta para pagar o aluguel, um seleto grupo de bilionários globais desembolsa, por ano, o equivalente ao PIB de uma pequena cidade só para manter o padrão de vida de luxo. Segundo a Wealth-X, consultoria especializada em patrimônio de altíssima renda, o custo anual para um bilionário manter jatos, iates e um portfólio de mansões ao redor do mundo gira em torno de US$ 750 milhões em 2026 — cerca de R$ 4,1 bilhões, na cotação desta semana.
O levantamento mais recente, divulgado na última segunda-feira (7), aponta que a maior fatura fica com a aviação executiva. Um Gulfstream G700, modelo preferido de 8 dos 10 maiores bilionários, tem custo operacional anual de US$ 5,2 milhões, sem contar o salário da tripulação. Somente em hangaragem, seguro e combustível, o gasto médio de um bilionário com seus aviões subiu 18% no último ano, puxado pela alta do querosene de aviação no mercado internacional — uma pressão que também atingiu as companhias aéreas comerciais, mas que para os super-ricos passa quase despercebida.
No mar, a história se repete. Os superiates com mais de 100 metros, como o recentemente entregue na Holanda pelo estaleiro Feadship, custam entre US$ 200 milhões e US$ 400 milhões para serem construídos. A manutenção anual, incluindo atracação, combustível e uma tripulação de 30 a 40 pessoas, varia de US$ 15 milhões a US$ 25 milhões. Segundo a Boat International, o número de iates desse porte em operação cresceu para 210 neste segundo trimestre de 2026, um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado.
A conta das propriedades também pesa. A consultoria imobiliária Knight Frank, em relatório desta semana, mapeou que os bilionários têm, em média, 4,2 residências de alto padrão. Cada uma exige equipe de manutenção, segurança e reformas constantes. Uma mansão em Miami, na Flórida, com 2.000 m², tem custo anual de manutenção de US$ 3,8 milhões; uma cobertura em Londres pode passar de US$ 5 milhões. Somando todas as despesas, o estudo estima que os gastos com propriedades representam 30% da conta total do estilo de vida bilionário — um percentual que vem crescendo desde que os juros globais começaram a subir no último Copom americano, no fim de agosto.
Para efeito de comparação, o valor que um bilionário gasta em um único ano seria suficiente para comprar 24.500 imóveis populares no Brasil, considerando o preço médio de R$ 167 mil do programa Minha Casa, Minha Vida. Ou ainda, pagaria por quase três anos o Orçamento da cidade de São Paulo, que neste ano é de R$ 118 bilhões. São números que impressionam, mas que refletem um fenômeno crescente: a concentração de riqueza no topo.
Especialistas ouvidos nesta semana alertam que esse estilo de vida tem impacto direto no mercado de luxo e até no mercado financeiro como um todo. Os jatinhos e iates consomem combustíveis fósseis em escala, enquanto as mansões em áreas nobres inflacionam o custo de vida local. No Brasil, a chegada de bilionários estrangeiros a destinos como Angra dos Reis e Trancoso tem pressionado os preços de imóveis de alto padrão, que subiram 12% no acumulado de 2026, segundo a FipeZap.
Para o investidor comum, a lição é entender que o setor de luxo segue aquecido, mesmo com a Selic a 14,75% ao ano e a economia global em desaceleração. Fundos imobiliários de alto padrão e ações de empresas de aviação executiva, como a Embraer, que viu a entrega de jatos Phenom 300E crescer 15% neste trimestre, podem ser uma forma de se beneficiar desse nicho sem precisar de um patrimônio bilionário. Mas, como sempre, é preciso avaliar os riscos e a liquidez antes de qualquer decisão.


