Curiosidades

R$ 3,2 bilhões em moedas de 1 real: o recorde mundial que virou um galpão no Brasil

Uma construtora brasileira empilhou moedas até o teto para bater o Guinness — e o número final revelou algo surpreendente sobre o custo real de uma obra em 2026.

Redação Perspectiva Imobiliária·
R$ 3,2 bilhões em moedas de 1 real: o recorde mundial que virou um galpão no Brasil

O Guinness World Records confirmou nesta semana um recorde que ninguém esperava: a maior pilha de moedas de 1 real já construída no mundo, com 3,2 bilhões de unidades, erguida em um galpão de 4.200 m² em Cajamar, na Grande São Paulo. A estrutura, que chegou a 18,7 metros de altura — equivalente a um prédio de seis andares —, foi desmontada na última terça-feira após 11 dias de exposição. O feito supera a antiga marca registrada em Dubai, que usou 2,1 bilhões de moedas de dirham.

A iniciativa partiu da construtora paulista Vertice Engenharia, que usou o evento como provocação ao custo de construção no país. Segundo a empresa, o valor total empilhado — R$ 3,2 bilhões — é exatamente o orçamento médio para erguer 1.100 unidades habitacionais de padrão médio no Brasil hoje, considerando o CUB (Custo Unitário Básico) de agosto de 2026, que fechou em R$ 2.947 por metro quadrado, alta de 7,4% em 12 meses segundo o SindusCon-SP. "Quisemos mostrar, de forma visual, o volume de dinheiro que evapora entre a aprovação de um projeto e a entrega das chaves", disse o diretor de operações da Vertice, Ricardo Menezes, em nota.

O número chama atenção por outro motivo. De acordo com a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o país deve lançar 318 mil unidades residenciais em 2026, o maior volume desde 2014. Boa parte desse avanço vem do programa Minha Casa Minha Vida, que respondeu por 61% dos lançamentos no primeiro semestre, segundo dados compilados pela entidade. O paradoxo é que, apesar do volume, o custo por metro quadrado subiu acima da inflação pelo quarto trimestre seguido — o IPCA de agosto, divulgado pelo IBGE na quinta-feira, mostrou alta de 0,38% no mês, com o grupo Habitação puxando 0,51%.

A montagem da pilha consumiu 42 dias de trabalho de 87 pessoas, entre seguranças, contadores e operadores de empilhadeira. Foram necessários 19 caminhões-baú para transportar as moedas até o galpão, cedido por uma transportadora local. O peso total: 22.400 toneladas, o equivalente a 3.700 elefantes adultos. O piso do galpão precisou ser reforçado com 40 cm de concreto adicional para suportar a carga.

Especialistas em infraestrutura apontam que o recorde tem um lado menos lúdico. "Cada moeda de 1 real custa cerca de 27 centavos para ser produzida pela Casa da Moeda. Ou seja, o valor intrínseco da pilha é bem menor do que a soma nominal", explica a economista Marina Prado, da Fipe. "É uma metáfora involuntária da nossa construção civil: gasta-se muito para entregar pouco, e o retrabalho consome margem." A Casa da Moeda, procurada, não comentou o recorde.

O evento também movimentou o turismo local. A prefeitura de Cajamar estima que 14 mil pessoas visitaram o galpão nos 11 dias de exposição, com gasto médio de R$ 78 por visitante em alimentação e transporte. A Vertice agora estuda transformar parte das moedas em um fundo de investimento imobiliário lastreado em moedas raras — uma ideia que, segundo a empresa, já atraiu sondagens de três gestoras cariocas.

Para quem investe, o recado é direto: o recorde expõe o gap entre o custo de produção e o preço final da moradia. Enquanto o CUB sobe 7,4% ao ano, o Índice FipeZap de venda residencial avançou 5,9% no acumulado de 2026 até agosto. A diferença corrói margens de incorporadoras e, no fim da cadeia, pressiona o bolso de quem financia. O Copom, na última reunião de agosto, manteve a Selic em 10,25% ao ano — mas sinalizou que o custo do crédito imobiliário pode subir se a inflação de Habitação não desacelerar.

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