R$ 2,7 bilhões: o custo anual da vida de luxo de um bilionário global
Levantamento desta semana revela quanto os super-ricos gastam por ano com jatos, iates e mansões. Veja a lista que inclui brasileiros e os itens que mais pesam no bolso.

Enquanto o brasileiro médio acompanha o impacto da inflação no supermercado, uma parcela mínima da população global movimenta cifras que desafiam a imaginação. Levantamento divulgado nesta semana pela consultoria Wealth-X, especializada em patrimônio de altíssima renda, estima que um bilionário gasta, em média, US$ 500 milhões por ano — cerca de R$ 2,7 bilhões, na cotação atual — apenas para manter o seu padrão de vida de luxo.
O número impressiona, mas ganha ainda mais relevância quando se observa o comportamento dos super-ricos no trimestre atual. Segundo dados da Agência Internacional de Aviação Civil (ICAO), o número de voos executivos globais cresceu 12% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado pela retomada de eventos presenciais e pela abertura de novas rotas de negócios na Ásia e no Oriente Médio.
Um dos itens que mais pesam no orçamento bilionário é a manutenção de jatos particulares. De acordo com a consultoria americana Jet Advisors, o custo anual de operação de um jato executivo de grande porte, como um Gulfstream G700 — modelo preferido de bilionários brasileiros e globais —, gira em torno de US$ 5 milhões (R$ 27 milhões). Esse valor inclui combustível, hangaragem, tripulação, seguro e manutenção preventiva. Para os que optam por frota completa, o gasto pode facilmente dobrar.
Os iates também figuram no topo da lista. A empresa britânica Superyacht Times calcula que o custo anual de operação de um superiate de 80 metros fica em cerca de US$ 15 milhões (R$ 81 milhões), considerando tripulação qualificada, combustível, atracação em marinas exclusivas e manutenção geral. No último mês, o mercado viu a venda do megaiate "Aurora", de 120 metros, por US$ 300 milhões — um negócio fechado entre um magnata do setor de tecnologia e um príncipe do Oriente Médio, que preferiu não se identificar.
E as mansões? O mercado imobiliário de luxo não para de bater recordes. Dados do FipeZap desta semana mostram que, nas regiões mais nobres de São Paulo, como Jardim Paulista e Itaim Bibi, o metro quadrado já passa dos R$ 30 mil. Mas para um bilionário, uma simples cobertura não basta: eles buscam propriedades com segurança blindada, heliponto, spa e vistas panorâmicas. Segundo a imobiliária de luxo Sotheby's International Realty, uma mansão de alto padrão em Miami ou em Angra dos Reis pode custar entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões. Manter essas propriedades, com equipe de segurança, paisagismo e empregados, adiciona mais alguns milhões ao ano.
A lista de gastos inclui ainda itens menos óbvios, como coleções de arte (que podem exigir seguro e climatização especial), carros raros e até mesmo a manutenção de ilhas privadas. O brasileiro Jorge Paulo Lemann, por exemplo, segundo a Forbes, tem patrimônio estimado em US$ 15 bilhões, e parte de sua fortuna é aplicada em ativos de luxo, incluindo uma mansão em St. Moritz, na Suíça, avaliada em US$ 80 milhões.
Mas será que esse estilo de vida é sustentável? Para o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ricardo Martins, o segredo está na diversificação: "Os bilionários não gastam apenas, eles investem em ativos que valorizam ou geram renda. A mansão pode ser alugada para eventos, o jato pode ser usado em fretamento, e a arte pode ser vendida com lucro. O custo anual de R$ 2,7 bilhões é alto, mas representa menos de 5% do patrimônio médio de um bilionário global, que é de US$ 2,3 bilhões."
Com a expectativa de aumento da taxa de juros no Brasil — o Copom sinalizou alta na última reunião de julho —, o mercado imobiliário de alto padrão pode sofrer pequena desaceleração no curto prazo, mas a demanda por ativos de luxo, principalmente em destinos paradisíacos, continua aquecida. Afinal, para quem tem bilhões, o preço é apenas um detalhe.


