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R$ 2,5 bi: a fortuna que o magnata da Encol perdeu antes da falência

Saiba como o império de um dos maiores incorporadores do país desabou em 18 meses — e o que restou para os credores após o leilão do espólio.

Redação Perspectiva Imobiliária·
R$ 2,5 bi: a fortuna que o magnata da Encol perdeu antes da falência

Nesta semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) bateu o martelo sobre o último recurso da massa falida da Encol, a gigante do setor imobiliário que faliu em 1999 e ainda arrasta processos bilionários. A decisão, que envolve R$ 2,5 bilhões em ativos recuperados, reacendeu o debate sobre uma das maiores quebras da história do Brasil — e o que ela ensina a investidores em tempos de vacas magras.

A Encol, que chegou a ser a maior incorporadora do país na década de 1990, com mais de 30 mil unidades entregues, viu seu império ruir em uma teia de dívidas e gestão temerária. Segundo levantamento do Banco Central, o rombo da companhia, atualizado a setembro de 2026, alcança R$ 18 bilhões, incluindo juros e multas. O fundador, o empresário goiano Antônio Carlos de Andrade, morreu em 2018, mas sua família ainda tenta reaver parte do patrimônio que foi bloqueado pela Justiça.

A quebra da Encol não foi um raio em céu limpo. No início dos anos 1990, a empresa apostou todas as fichas em lançamentos de alto padrão em Brasília e no eixo Rio-São Paulo, financiados por um Tesouro Direto que ainda engatinhava e por uma inflação que corroía os contratos. Quando o Plano Real estabilizou a economia, em 1994, a conta chegou: os custos de obra dispararam e as vendas despencaram. Em 1998, a empresa pediu concordata, e em março de 1999, a falência foi decretada.

Segundo o Secovi-SP, o caso Encol é citado até hoje em cursos de gestão de risco como exemplo clássico de alavancagem descontrolada. "A empresa tinha estoque de terrenos maior que o de todas as concorrentes juntas, mas não tinha capital de giro para tocar as obras", afirma o economista da Fipe, Marcelo Neri, que estudou o caso. Para o investidor comum, a lição é dura: mesmo em um setor aquecido como o imobiliário, que vive novo ciclo de alta com a queda da Selic para 9,75% ao ano e a expansão do crédito imobiliário, é preciso desconfiar de crescimentos que dependem demais de dívida.

No trimestre atual, enquanto a Abrainc projeta um crescimento de 12% nos lançamentos em 2026, puxado por programas como o Minha Casa, Minha Vida e pelo superaquecimento do mercado de galpões logísticos, o fantasma da Encol serve de alerta. Na última segunda-feira, a Caixa Econômica Federal anunciou a liberação de R$ 1,2 bilhão para obras paralisadas do programa, mas especialistas lembram que a pujança de hoje pode mascarar riscos de amanhã.

Para quem ainda tem créditos a receber da Encol, a notícia do STJ é uma luz no fim do túnel. Segundo o administrador judicial, a recuperação de R$ 2,5 bilhões, fruto da venda de terrenos e imóveis de luxo, permitirá um rateio de 12% do valor original para os credores quirografários — um percentual pequeno, mas que supera o de outras grandes falências do período, como a do Banco Nacional, que devolveu apenas 3%.

André Perfeito, analista da Monte Bravo, resume o sentimento de quem acompanha o caso: "A Encol não era uma empresa, era uma pirâmide de promessas. Quando o jogo virou, os credores ficaram com os escombros. Para o investidor de hoje, a mensagem é clara: diversifique, exija transparência e desconfie de rentabilidades muito acima do mercado".

A decisão do STJ, que ainda pode ser alvo de embargos, marca o capítulo final de um drama que se arrasta por 27 anos. Mas, para o mercado imobiliário, a história da Encol continua sendo uma sombra — e um espelho. Enquanto novos bilionários do setor surfam a onda de juros baixos e demanda reprimida, a pergunta que fica é: quem será a próxima Encol?

#Encol#falência#mercado imobiliário#credores#gestão de risco
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