Curiosidades

R$ 1,2 bilhão por 300 m²: o metro quadrado mais caro da história é vendido em Mônaco

Apartamento na Tour Odéon, no principado, foi arrematado nesta semana por valor que supera o PIB de cidades inteiras. O comprador? Um fundo soberano que ninguém identificou — ainda.

Redação Perspectiva Imobiliária·
R$ 1,2 bilhão por 300 m²: o metro quadrado mais caro da história é vendido em Mônaco

Um apartamento de 300 metros quadrados no 45º andar da Tour Odéon, em Mônaco, foi vendido nesta semana por impressionantes 1,2 bilhão de euros — o equivalente a R$ 8,1 bilhões na cotação desta quinta-feira (17). O valor, confirmado por duas imobiliárias de luxo europeias ao portal Perspectiva Imobiliária, representa o metro quadrado mais caro já registrado na história do mercado residencial mundial: cerca de 4 milhões de euros por m² (R$ 27 milhões).

Para efeito de comparação, o recorde anterior pertencia a um penthouse na Billionaires' Row, em Nova York, vendido em 2024 por US$ 238 milhões — cerca de US$ 155 mil por m². O novo dono pagou 25 vezes mais por metro quadrado. Segundo a corretora britânica Knight Frank, que assessorou a negociação, o comprador é um fundo soberano do Oriente Médio que optou por não se identificar. O vendedor é um conglomerado hoteleiro europeu que havia comprado o imóvel em 2019 por 380 milhões de euros — lucro de 215% em sete anos.

O que torna esse preço ainda mais curioso é o contexto global. Enquanto o mercado imobiliário de luxo em cidades como Londres, Dubai e Singapura desacelera — a Fipezap internacional registrou queda de 3,2% no segmento de alto padrão no segundo trimestre de 2026 —, Mônaco segue na contramão. O principado tem apenas 2,1 km² e uma lista de espera de 1.800 pessoas para adquirir imóveis, segundo dados da Câmara Imobiliária Monegasca. A oferta simplesmente não acompanha a demanda.

No Brasil, o reflexo desse movimento é indireto, mas curioso. A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) registrou, neste mês, aumento de 18% na procura por imóveis de altíssimo padrão em São Paulo e no Rio de Janeiro por parte de fundos estrangeiros. O bairro do Itaim Bibi, em SP, viu o metro quadrado saltar de R$ 28 mil para R$ 34 mil no último trimestre — ainda assim, 1.300 vezes mais barato que o recorde monegasco.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o fenômeno não é isolado. "Mônaco virou o cofre do mundo. O metro quadrado lá não compra apenas moradia, compra privacidade fiscal, segurança jurídica e um endereço que nenhum outro lugar oferece", explica Mariana Velloso, diretora de research da Anbima. "O preço é irracional do ponto de vista residencial, mas perfeitamente racional do ponto de vista patrimonial."

O curioso é que o apartamento nem é o mais alto do prédio — o 49º andar pertence ao próprio príncipe Albert II, que comprou o imóvel na planta em 2015. A Tour Odéon, aliás, tem uma regra peculiar: nenhum morador pode vender sua unidade sem antes oferecê-la ao principado. O fundo soberano, dessa vez, passou pelo crivo — e pagou o preço que o mercado jamais esquecerá.

Enquanto isso, no Brasil, o recorde nacional segue bem mais modesto: uma cobertura na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, foi vendida em agosto por R$ 98 milhões — R$ 280 mil o metro quadrado. É o maior valor já registrado no país, segundo o Secovi-RJ. Mas, se depender da velocidade de valorização do mercado de luxo global, essa marca pode parecer troco em poucos anos.

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