R$ 11 bilhões: o custo anual de ser um bilionário global em 2026
Jatos, iates e mansões: gastos de ultrarricos subiram 12% no último ano. Veja quanto um super-rico gasta por dia e o que mais pesa no bolso.

Enquanto o brasileiro médio acompanha a inflação no supermercado, uma parcela mínima da população global enfrenta um problema de outra escala: administrar um patrimônio que ultrapassa a casa dos bilhões de reais. Nesta semana, a consultoria Wealth-X divulgou a atualização anual do chamado "custo de manutenção de um bilionário", e os números impressionam: manter o padrão de vida de um dos cerca de 3.200 bilionários do planeta exige, em média, R$ 11 bilhões por ano, considerando despesas com jatos, iates, mansões e segurança.
O levantamento, que considera dados do primeiro semestre de 2026, aponta um aumento de 12% nesse custo em relação ao ano anterior, puxado principalmente pela alta de 18% nos preços das aeronaves executivas e pela valorização de 9% no mercado de iates de luxo. Só a depreciação de um jato Gulfstream G700, modelo preferido de muitos bilionários, pode chegar a R$ 45 milhões anuais, incluindo hangaragem, combustível e tripulação. Já um iate de 100 metros, como o famoso Serene, consome cerca de R$ 80 milhões por ano em manutenção, combustível e salários da tripulação.
No setor imobiliário de altíssimo padrão, a procura por mansões à beira-mar em destinos como Miami, Dubai e a Riviera Francesa segue forte. Em São Paulo, o metro quadrado mais caro da cidade, em bairros como o Jardim Europa, já ultrapassa R$ 60 mil, segundo dados do FipeZap divulgados neste mês. Um bilionário que decida manter uma residência principal em São Paulo, um apartamento em Nova York e uma casa de veraneio em Angra dos Reis pode gastar facilmente R$ 250 milhões anuais apenas com IPTU, condomínio, seguros e equipe de manutenção.
A segurança é outro item que pesa no orçamento desses ultrarricos. Com o aumento de sequestros de empresários em diversas regiões do mundo, o gasto com segurança privada cresceu 25% no último trimestre, segundo a consultoria Control Risks. Um esquema completo, com equipe de seguranças 24 horas, carros blindados e escolta, custa a partir de R$ 3 milhões por ano, podendo superar R$ 30 milhões em casos de alto risco.
Mas nem tudo é desperdício: muitos bilionários enxergam esses gastos como investimento. Jatos e iates de luxo podem ser revendidos no futuro, e mansões em localizações nobres tendem a se valorizar. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária destacam que, para o investidor comum, não é preciso ter um bilhão para adotar essa mentalidade: priorizar ativos que geram valorização a longo prazo, como imóveis de alto padrão em regiões em desenvolvimento, é uma estratégia que qualquer pessoa pode aplicar.
O que fica claro é que o estilo de vida bilionário não é apenas uma questão de comprar coisas caras, mas sim de manter um padrão que exige planejamento financeiro sofisticado. Enquanto isso, no Brasil, a discussão sobre taxação de grandes fortunas avança no Congresso, com uma proposta que pode impactar a rentabilidade desses investimentos. Para o investidor comum, a lição é observar essas tendências de mercado e, quem sabe, se inspirar na gestão de custos dos super-ricos para otimizar seus próprios investimentos.


