Programa Minha Casa 2.0: 400 mil moradias e juros de 4% — veja quem entra na fila
Nova fase do Minha Casa Minha Vida promete 400 mil unidades até 2028 com juros a partir de 4%. Saiba como o sorteio vai priorizar famílias e quais estados começam já em outubro.

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (3) a nova fase do programa de habitação popular, batizada de Minha Casa 2.0, com meta de entregar 400 mil moradias até 2028 e taxas de juros a partir de 4% ao ano para famílias com renda de até R$ 2.850. O anúncio foi feito pelo Ministério das Cidades em parceria com a Caixa Econômica Federal e a Secretaria do Patrimônio da União, durante evento em Brasília.
A principal novidade é a criação do 'Cadastro Único Prioritário', que vai usar dados do CadÚnico para definir a ordem de atendimento, dando preferência a mulheres chefes de família, vítimas de desastres naturais e famílias em situação de rua. Segundo o ministro das Cidades, José Roberto Lima, 'a fila será transparente e baseada em critérios sociais claros, evitando indicações políticas' — uma resposta direta às críticas de direcionamento de unidades em gestões anteriores.
O programa também amplia o subsídio médio de R$ 55 mil para R$ 75 mil por unidade, com contrapartida do FGTS e do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). Para o setor imobiliário, a notícia é vista com otimismo: a Abrainc estima que cada R$ 1 investido em habitação popular gere R$ 2,3 de impacto no PIB, com potencial de criar 2 milhões de empregos diretos e indiretos até 2028.
Os primeiros sorteios estão previstos para outubro em estados do Norte e Nordeste, regiões com maior déficit habitacional proporcional. Em São Paulo e Rio de Janeiro, as obras devem começar no primeiro trimestre de 2027, após a aprovação dos projetos pelos municípios. A meta é que 60% das unidades sejam destinadas a capitais e regiões metropolitanas, onde a terra é mais cara e o déficit concentra-se.
Especialistas, no entanto, apontam desafios. A consultoria CBRE alerta que a alta dos custos de construção, que subiram 8,3% nos últimos 12 meses segundo o INCC, pode pressionar o orçamento do programa. O governo afirma que vai usar terrenos públicos ociosos e parcerias com construtoras para reduzir custos, além de revisar o projeto básico para padronizar materiais, como já ocorreu na primeira fase do Minha Casa, que entregou mais de 5 milhões de moradias desde 2009.
Para as famílias interessadas, a recomendação é atualizar os dados no CadÚnico até setembro, pois o sistema será fechado temporariamente em outubro para processamento das primeiras seleções. A Caixa também lançou um aplicativo para acompanhamento da posição na fila, com previsão de resposta por SMS e e-mail. A medida, segundo o Banco Central, não deve impactar a política monetária, já que os subsídios virão do orçamento fiscal, não de emissão de crédito direcionado.
Com o anúncio, o governo espera reduzir o déficit habitacional, que hoje é estimado em 6,2 milhões de moradias, segundo dados da Fundação João Pinheiro divulgados no mês passado. O secretário nacional de Habitação, Marina Campos, afirmou em coletiva que 'a meta é ousada, mas factível, com monitoramento trimestral de metas'. O próximo passo é a publicação das regras operacionais no Diário Oficial, prevista para a próxima semana, e a abertura do edital para construtoras interessadas em novembro.


