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Pirâmide dos imóveis: golpe que promete 5% ao mês viraliza e já soma 12 mil vítimas

Esquema 'Renda Sólida' usa imóveis como isca e promete lucro fixo com aluguéis que não existem; Procon de SP recebeu 3.200 reclamações em duas semanas e prejuízo passa de R$ 180 milhões

Redação Perspectiva Imobiliária·
Pirâmide dos imóveis: golpe que promete 5% ao mês viraliza e já soma 12 mil vítimas

Uma nova fraude financeira que se disfarça de investimento imobiliário está se espalhando pelo WhatsApp e pelo Instagram neste mês de setembro. Batizada de 'Renda Sólida', a operação promete rendimento fixo de 5% ao mês — o equivalente a 79% ao ano — com a desculpa de que o dinheiro seria aplicado na compra de imóveis para locação de curta temporada. O problema: não há imóvel nenhum. Segundo o Procon de São Paulo, só nas duas primeiras semanas de setembro foram registradas 3.200 reclamações contra empresas que usam esse modelo, e o prejuízo estimado já passa de R$ 180 milhões, com pelo menos 12 mil vítimas identificadas em 14 estados.

O modus operandi é sempre parecido. A 'Renda Sólida' oferece cotas a partir de R$ 1.500 e mostra contratos falsos de aluguel por temporada em cidades como Balneário Camboriú (SC), Gramado (RS) e João Pessoa (PB). Em grupos de Telegram, os organizadores exibem prints de repasses diários e usam depoimentos de 'investidores' — muitos deles atores contratados. A Polícia Civil de São Paulo, que instaurou inquérito na última quinta-feira (11), afirma que o esquema é uma pirâmide financeira clássica: os juros são pagos com o dinheiro de novos entrantes, não com renda real de imóveis.

O gatilho para o crescimento explosivo foi a taxa Selic, que está em 8,75% ao ano após o último Copom, em 2 de setembro. Com a renda fixa tradicional pagando menos de 1% ao mês, promessas de 5% mensais soam irresistíveis para quem busca recuperar poder de compra. 'É o ambiente perfeito para esse tipo de golpe. A Selic mais baixa reduz o rendimento da poupança e dos títulos públicos, e o criminoso usa o imóvel como âncora de confiança', explica Fernando Lopes, diretor de estudos econômicos da Associação Brasileira de Investidores Imobiliários (Abrainc).

A fraude também se aproveita da alta do mercado imobiliário. O Índice FipeZap de agosto, divulgado na semana passada, mostrou valorização de 9,2% nos preços de venda residencial em 12 meses nas 50 cidades pesquisadas. Esse dado real é distorcido pelos golpistas, que apresentam relatórios falsos de valorização de 30% ao ano em bairros específicos para justificar o retorno prometido. A Anbima já emitiu alerta no dia 8 de setembro recomendando que investidores desconfiem de qualquer oferta de rendimento fixo acima de 1,5% ao mês sem registro na CVM.

O Ministério da Justiça prepara uma portaria para obrigar plataformas digitais a derrubar anúncios de investimento coletivo sem CNPJ ativo e sem registro na autarquia. A medida deve sair até o fim de setembro e prevê multa de até R$ 50 milhões para as big techs que não cumprirem. Enquanto isso, o ideal é checar se a empresa tem registro na CVM, desconfiar de grupos fechados de WhatsApp e nunca transferir dinheiro para contas de pessoas físicas. Se você já caiu no golpe, o Procon orienta registrar boletim de ocorrência e guardar todos os comprovantes de transferência e prints das conversas.

Para quem quer investir em imóveis de verdade, os especialistas recomendam fundos imobiliários listados na B3, que têm liquidez diária e fiscalização da CVM, ou a compra direta com escritura e matrícula no registro de imóveis. 'Não existe almoço grátis. Se a promessa é de 5% ao mês com imóvel, ou é golpe, ou é risco de perder tudo', resume Lopes, da Abrainc. A dica final: antes de assinar qualquer contrato, consulte o CNPJ no site da Receita Federal e verifique se a oferta está registrada na CVM. Golpistas odeiam quem faz pergunta.

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