Análise

Os 7 bairros que subiram até 3,1% em setembro e puxam a nova onda de valorização

Enquanto a média nacional ficou em 0,9%, sete bairros de capitais dispararam no mês, segundo o FipeZap. Dois deles estão fora do eixo tradicional e já atraem fundos imobiliários.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Os 7 bairros que subiram até 3,1% em setembro e puxam a nova onda de valorização

Sete bairros de capitais brasileiras registraram valorização entre 2,2% e 3,1% apenas em setembro, muito acima da média nacional de 0,9% apurada pelo Índice FipeZap+ no fechamento desta semana. Os dados, que cruzam anúncios de venda de apartamentos prontos, mostram uma concentração incomum: quatro dos sete endereços ficam fora dos eixos tradicionais de valorização e ganharam tração com obras de mobilidade entregues nos últimos 12 meses.

No topo da lista aparece o bairro de Pinheiros, em São Paulo, com alta de 3,1% no mês e acumulado de 21,4% em 2026. O metro quadrado médio chegou a R$ 17.480, segundo a amostra do FipeZap, puxado pela entrega de dois trechos da linha 6-Laranja do metrô e pela migração de escritórios de tecnologia para a região.

O fenômeno não é exclusivo de São Paulo. Em Florianópolis, o bairro de Jurerê registrou 2,9% de alta em setembro, com preço médio de R$ 15.900 o metro quadrado. Na sequência vêm Meireles, em Fortaleza (2,7%), e Barra da Tijuca, no Rio (2,6%), que recupera fôlego após três trimestres de estabilidade. O levantamento considera apenas imóveis usados, o que reduz distorções de lançamentos.

A lista completa inclui ainda Água Verde, em Curitiba (2,5%), Savassi, em Belo Horizonte (2,3%), e Ponta Verde, em Maceió (2,2%), este último impulsionado pela retomada do turismo e pela chegada de dois resorts de bandeira internacional. Segundo a Abrainc, a procura por imóveis de médio padrão nessas regiões cresceu 14% no trimestre, na comparação com igual período de 2025.

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O pano de fundo é a combinação de juros em queda gradual com crédito imobiliário mais competitivo. Na última reunião do Copom, a taxa Selic foi mantida em 9,75% ao ano, e o mercado já precifica cortes adicionais até dezembro. Para o Secovi-SP, cada ponto percentual de queda na Selic tende a destravar cerca de R$ 8 bilhões em financiamentos habitacionais no país.

Especialistas alertam, porém, que parte da valorização é pontual e não deve se repetir no mesmo ritmo em 2027. "Bairros que sobem 3% em um mês costumam corrigir nos meses seguintes. O investidor que entra agora precisa olhar o ciclo de entrega de infraestrutura e o estoque de lançamentos, não só o preço passado", afirma a economista Marina Duarte, da consultoria Atlas MR.

Para quem busca exposição a essa tendência sem comprar um imóvel físico, os fundos imobiliários de tijolo com ativos nessas regiões negociam, em média, com desconto de 12% sobre o valor patrimonial, segundo a B3. É um dos spreads mais altos do ano — e pode fechar rápido se o Copom confirmar o corte de juros em outubro.

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