Mercado BR

Os 5 metros quadrados que mais subiram no trimestre: até 18% em cidades médias

Campinas, Joinville e Goiânia lideram ranking da Abrainc com altas de até 18,2% no trimestre encerrado em agosto; veja por que o interior supera capitais e quais bairros puxam a fila.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Os 5 metros quadrados que mais subiram no trimestre: até 18% em cidades médias

O trimestre encerrado em agosto de 2026 trouxe uma surpresa para quem acompanha o mercado imobiliário: as maiores valorizações não estão em São Paulo ou no Rio, mas em cidades médias do interior. Segundo levantamento da Abrainc com dados de lançamentos e vendas, o preço médio do metro quadrado subiu 18,2% em Campinas (SP) — o maior avanço entre as 30 cidades monitoradas pela entidade.

O ranking divulgado nesta semana mostra que Joinville (SC) aparece em segundo lugar, com alta de 15,7%, seguida por Goiânia (GO), com 14,3%. Completam a lista dos cinco primeiros: Londrina (PR), com 13,1%, e São José dos Campos (SP), com 12,6%. Para fins de comparação, o índice FipeZap das capitais ficou praticamente estável no mesmo período, com variação média de apenas 1,8%.

O que explica essa disparidade? Especialistas ouvidos pela reportagem apontam três fatores: a migração de grandes empresas de tecnologia para o interior, a falta de estoques de terrenos nas capitais e o avanço do home office definitivo. “Campinas se tornou um polo de data centers e fintechs. A demanda por imóveis de alto padrão cresceu acima da oferta, pressionando os preços”, afirma a economista-chefe da Abrainc, Marina Ferraz, em coletiva nesta terça-feira.

Outro dado relevante do período é o comportamento dos juros. O Copom, em sua última reunião de agosto, manteve a Selic em 12,75% ao ano, sinalizando que o ciclo de cortes ficou para 2027. Mesmo assim, as vendas financiadas com recursos do FGTS subiram 9,3% no trimestre, segundo a CEF. Isso ocorreu porque os preços em cidades médias ainda são 30% menores do que nas capitais, o que compensa o custo do crédito.

Vídeo relacionado

Entre os bairros que mais valorizaram neste período, destaque para o setor Sudoeste de Goiânia, com alta de 21% no preço médio dos apartamentos de 3 quartos, e a região do Parque Tecnológico em São José dos Campos, que viu o metro quadrado saltar de R$ 6.800 para R$ 7.650 em apenas três meses. Em Campinas, o distrito de Barão Geraldo, onde fica a Unicamp, registrou aumento de 19% nos imóveis reformados.

Para o comprador que busca renda com aluguel, o movimento acende um alerta: o rendimento bruto médio nessas cidades caiu de 0,55% para 0,49% ao mês, conforme dados do Secovi. Ou seja, a valorização do ativo está sendo mais rápida que a dos aluguéis. “Quem comprou há um ano já ganhou na revenda, mas o fluxo de caixa mensal ainda é apertado”, pondera o consultor imobiliário Gustavo Lopes, da plataforma de investimentos QuintoAndar Investe.

Para os próximos meses, o cenário é de manutenção da alta, mas em ritmo menor. A expectativa do setor é que as cidades médias que receberam novos projetos de infraestrutura, como expansão de aeroportos e linhas de trem, continuem liderando. Ficar de olho nos próximos leilões de terrenos da União — marcados para outubro em Campinas e Joinville — pode ser mais rentável do que disputar apartamentos prontos em bairros já saturados das capitais.

#valorização imobiliária#ranking#cidades médias#Abrainc#FipeZap
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo