Curiosidades

Os 40 anos do edifício mais alto do mundo que nunca foi habitado

Em 15 de julho de 1986, começava a construção do Ryugyong Hotel, em Pyongyang. Quatro décadas depois, a pirâmide de 105 andares segue vazia – um recorde de ostentação e abandono que intriga investidores.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Os 40 anos do edifício mais alto do mundo que nunca foi habitado

Em 15 de julho de 1986, a Coreia do Norte lançou os alicerces do que seria o hotel mais alto do planeta: o Ryugyong Hotel, em Pyongyang. Com 105 andares e 330 metros de altura, a estrutura superaria qualquer arranha-céu ocidental da época. Mas o sonho virou pesadelo: as obras pararam em 1992, com a crise econômica pós-URSS, e o edifício nunca recebeu um hóspede. Três décadas e meia depois, ele detém o título de maior estrutura habitacional jamais concluída – mas completamente vazia.

O projeto original previa 3 mil quartos, restaurantes giratórios e cassinos, um investimento estimado em US$ 750 milhões (cerca de R$ 4 bilhões em valores corrigidos). Para comparação, o Burj Khalifa, hoje o mais alto do mundo, custou US$ 1,5 bilhão e foi inaugurado em 2010 com ocupação total. O Ryugyong, porém, foi vítima da falta de materiais, mão de obra e capital. Em 2008, uma empresa egípcia tentou finalizar a fachada de vidro, mas o interior jamais foi tocado.

Para o mercado imobiliário, o caso é uma curiosidade extrema: trata-se do maior ativo imobiliário fantasma do mundo. Segundo a consultoria CoreLogic, não há registro de nenhum outro edifício com mais de 100 metros concluído estruturalmente e completamente desocupado por tanto tempo. Em termos de valor de reposição, o Ryugyong representa um rombo de US$ 2 bilhões em materiais e mão de obra – dinheiro que poderia erguer 40 mil unidades populares no Brasil.

Especialistas da Secovi-SP apontam que o caso serve de alerta para investidores: “Um empreendimento sem demanda ou sem viabilidade econômica vira ruína, independentemente do porte”, afirma o economista da entidade, Celso Petrucci. O Ryugyong é o exemplo máximo da desconexão entre ambição e mercado. Enquanto isso, na China, 10 mil novos arranha-céus foram erguidos no mesmo período – todos ocupados.

A conclusão para o pequeno e médio investidor: antes de se encantar com projetos faraônicos, olhe para o básico. O recorde do Ryugyong não é de altura, mas de desperdício. Invista em imóveis com liquidez, localização e demanda real – pirâmides vazias não pagam aluguel.

#Ryugyong Hotel#edifício abandonado#recorde imobiliário
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