Análise

Os 4 bairros de capitais que mais valorizaram em julho; veja ranking

Levantamento da FipeZap mostra alta de até 3,2% no mês, puxada por obras de mobilidade e nova lei de retrofit; veja se o seu bairro está na lista.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Os 4 bairros de capitais que mais valorizaram em julho; veja ranking

Enquanto a bolsa oscila e o CDI patina na casa de 12,75% ao ano, um grupo seleto de bairros nas capitais brasileiras entregou retornos que fazem qualquer aplicação de renda fixa parecer conversa de vendedor. Dados inéditos do FipeZap compilados esta semana mostram que, em julho, quatro bairros registraram valorização de até 3,2% no metro quadrado, puxados por uma combinação rara: entrega de obras de mobilidade, nova lei de retrofit aprovada no Congresso em junho e escassez de terrenos.

O campeão do mês foi o Setor Sudoeste, em Brasília, com alta de 3,2%, elevando o preço médio do metro quadrado para R$ 11.850. A valorização reflete a chegada da linha 2 do metrô, que entrou em operação comercial no dia 15 de julho, e a aprovação de um projeto de retrofit que permite a conversão de edifícios comerciais antigos em residenciais sem pagar outorga até 2028. Segundo o Secovi-DF, a procura por imóveis no bairro cresceu 45% nas últimas quatro semanas.

Em São Paulo, o bairro do Canindé, na Zona Norte, surpreendeu ao subir 2,8%, atingindo R$ 8.320 o metro quadrado. A região se beneficia da conclusão da ponte estaiada sobre o Rio Tietê, inaugurada em 15 de julho, que reduziu o tempo de deslocamento ao centro em 20 minutos. Além disso, a prefeitura anunciou no início de julho a abertura de uma estação de trem intermunicipal, o que atraiu investidores de médio porte. Dados da Abrainc indicam que os lançamentos residenciais no bairro somaram R$ 420 milhões no primeiro semestre, alta de 130% sobre o mesmo período de 2025.

No Recife, o bairro do Cordeiro registrou alta de 2,5%, com o metro quadrado a R$ 6.740. O movimento é atribuído à inauguração do Ramal Cordeiro do VLT, em 5 de julho, que liga o bairro ao centro da cidade em 12 minutos. A prefeitura também aprovou em junho uma mudança no zoneamento que permite prédios de até 30 andares às margens da via, o que deve elevar ainda mais a oferta nos próximos meses. Segundo a Secovi-PE, o estoque de imóveis à venda no bairro caiu de 340 para 180 unidades em 30 dias, o que pressiona os preços para cima.

Fechando o ranking, o bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, subiu 2,1%, alcançando R$ 11.200 o metro quadrado. A alta é reflexo da entrega do BRT Transbrasil, no dia 1º de julho, que encurtou a viagem até o centro em 35 minutos, e do anúncio de um novo shopping de luxo, previsto para 2028. O diretor de pesquisa da FipeZap, em entrevista à nossa equipe, explicou que o movimento não é pontual: "A valorização não é mais aleatória. Ela migra para bairros com infraestrutura sendo entregue, independentemente do ciclo da Selic."

Para quem já investe ou pensa em entrar, a dica dos especialistas é olhar não apenas o preço atual, mas o que está em obras nos próximos 12 meses. Com a Selic no último Copom mantida em 12,75%, o financiamento imobiliário segue caro, mas a valorização setorial compensa o custo. A tendência é que esses bairros continuem no radar até o fim do ano, principalmente com a nova lei de retrofit sendo regulamentada em agosto e o início das obras da linha 6 do metrô de São Paulo, previsto para setembro.

O ranking completo, incluindo as outras capitais e os bairros com pior desempenho, está disponível no site da FipeZap. A recomendação dos analistas é diversificar entre bairros com entregas de mobilidade e programas de renovação urbana, pois esses têm mostrado retorno mais consistente. No trimestre atual, a valorização média das capitais foi de 1,8%, puxada por Brasília, Recife e São Paulo.

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