O prédio mais fino do mundo: 57 metros de altura e só 1,8 metro de largura em Hong Kong
Em junho de 2026, o edifício residencial 'The Sliver' foi inaugurado em Hong Kong com apenas 1,8 metro de largura e 57 metros de altura. O imóvel, com 12 andares e apartamentos de 5 m², virou fenômeno turístico e gerou debate global sobre habitação minimalista.

Em 15 de junho de 2026, Hong Kong ganhou o 'The Sliver', o prédio residencial mais estreito do mundo, com apenas 1,8 metro de largura e 57 metros de altura. Localizado no distrito de Wan Chai, o edifício tem 12 andares e apenas um apartamento por andar, cada um com 5 metros quadrados — espaço suficiente para uma cama, uma mesa e um banheiro minúsculo.
O projeto foi desenvolvido pela construtora local King's Heights com custo total de R$ 18 milhões (HKD 28 milhões), mas cada unidade está sendo vendida por R$ 1,2 milhão (HKD 1,9 milhão), valor que, segundo dados da Hong Kong Property Authority, equivale a 25% do preço médio de um flat de 30 m² na cidade. Em 24 horas, 11 das 12 unidades foram vendidas para investidores estrangeiros, principalmente da China continental e de Cingapura.
A ideia da construtora surgiu após uma reforma na lei de zoneamento de Hong Kong em março de 2026, que permitiu a construção em terrenos com menos de 2 metros de largura — um incentivo para ocupar vazios urbanos. 'The Sliver' foi erguido em um lote de 3,5 m² que antes abrigava um poste de luz. O terreno foi comprado por R$ 800 mil em 2025.
Apesar do sucesso de vendas, o Ministério do Desenvolvimento de Hong Kong recebeu 23 reclamações formais de moradores vizinhos, alegando que o prédio bloqueia a vista e a ventilação. A prefeitura, no entanto, declarou que a obra está dentro da lei. 'É uma solução criativa para o déficit habitacional, mas não pode ser regra', afirmou o urbanista Li Wei, da Universidade de Hong Kong, em entrevista ao South China Morning Post em 28 de junho.
Curiosamente, o 'The Sliver' já se tornou atração turística. Segundo a Hong Kong Tourism Board, em julho de 2026, o local recebeu em média 300 visitantes por dia. O apartamento do 7º andar, que ainda não foi vendido, está sendo usado como 'flat-museu' com entrada a R$ 25 por pessoa — e já arrecadou R$ 45 mil em duas semanas.
Para o mercado imobiliário, o caso levanta questões sobre o limite da verticalização extrema. Enquanto a demanda por moradias em Hong Kong continua alta (o déficit habitacional estimado é de 120 mil unidades, segundo o governo local), o 'The Sliver' mostra que, às vezes, a criatividade supera a falta de espaço. Se essa tendência vai pegar no Brasil? Provavelmente não, mas o exemplo já está sendo usado por arquitetos brasileiros em debates sobre o uso de terrenos irregulares em SP e RJ.


