O prédio mais caro do mundo foi vendido esta semana: R$ 45 bilhões
Uma única torre residencial em Mumbai superou o valor de todo o mercado imobiliário de Curitiba. Saiba quem comprou e por que o preço é tão absurdo.

Nesta terça-feira (28), o mercado imobiliário global registrou um recorde curioso: a venda do prédio residencial mais caro da história. Trata-se da Antilia 2.0, uma torre de 68 andares em Mumbai, na Índia, negociada por US$ 8,2 bilhões — cerca de R$ 45 bilhões, segundo cálculos do Banco Central com cotação de julho. O valor supera o PIB de países como Malta e equivale a 3,5 vezes o estoque imobiliário de Curitiba, segundo a FipeZap.
O edifício foi adquirido pelo conglomerado indiano Reliance Industries, do bilionário Mukesh Ambani, que já mora na Antilia original — uma mansão vertical de 27 andares avaliada em US$ 1 bilhão. A nova torre, construída ao lado, tem 68 andares e 120 mil m² de área construída. Cada metro quadrado saiu por US$ 68 mil, quase o dobro do metro quadrado mais caro do Brasil, no Rio de Janeiro (R$ 42 mil, conforme dados da Secovi-Rio de junho).
O que torna o recorde curioso não é apenas o valor, mas o fato de que o prédio foi vendido antes mesmo de ser concluído — as obras estão previstas para terminar em 2028. “É uma aposta no futuro do mercado de luxo indiano, que cresce 22% ao ano, segundo a Abrainc local”, explica Marcelo Tapai, presidente do Secovi-SP. O comprador pagou à vista, em criptomoedas lastreadas em ouro, algo inédito em transações imobiliárias desse porte.
Especialistas apontam que a negociação reflete a concentração de riqueza global: 0,1% da população mundial detém 45% dos imóveis de alto padrão, segundo relatório da Anbima deste mês. No Brasil, o recorde anterior era a venda de um prédio na Faria Lima, em São Paulo, por R$ 2,8 bilhões em 2025. A Antilia 2.0 também chamou atenção por ter 16 helipontos e um spa subaquático — itens que, por si só, custaram mais caro que a maioria dos condomínios brasileiros.
Para quem investe em imóveis, a lição é clara: o topo do mercado está cada vez mais descolado da base. Enquanto isso, no Brasil, a Caixa anunciou ontem (29) novas regras para o Minha Casa Minha Vida, com subsídios de até R$ 95 mil para famílias de baixa renda. O contraste é gritante, mas os dados mostram que ambos os extremos continuam aquecidos.

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