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O golpe do 'investimento em cripto imóveis' que promete 12% ao mês: 40 mil vítimas em julho

Esquema que usa nome de construtoras conhecidas para vender 'cotas de imóveis digitais' já movimentou R$ 2,3 bilhões este mês. Veja como identificar a fraude antes de perder dinheiro.

Redação Perspectiva Imobiliária·
O golpe do 'investimento em cripto imóveis' que promete 12% ao mês: 40 mil vítimas em julho

Uma nova modalidade de pirâmide financeira está se espalhando pelo WhatsApp e Telegram neste mês de julho, prometendo retornos de até 12% ao mês com a compra de 'cotas de imóveis digitais'. Só nas últimas duas semanas, o Ministério Público de São Paulo estima que 40 mil brasileiros tenham sido lesados, com prejuízo acumulado de R$ 2,3 bilhões.

O golpe funciona assim: o fraudador se passa por corretores de construtoras conhecidas, como a MRV ou a Cyrela, e oferece a oportunidade de investir na 'tokenização' de imóveis ainda na planta. A vítima transfere valores que variam de R$ 500 a R$ 50 mil via Pix para uma 'carteira digital' e recebe um comprovante falso, além de promessas de rendimentos diários. Os primeiros pagamentos chegam a ser feitos, mas logo os grupos são deletados ou os canais silenciam.

Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária comparam o esquema às pirâmides com criptomoedas de 2022, mas com um novo verniz: usam termos técnicos como 'escrow', 'yield farming' e 'real estate tokenizado', o que confere aparência de sofisticação. 'Eles abusam da falta de conhecimento do investidor comum sobre o mercado de capitais', afirma a economista Marina Sampaio, da consultoria 4M Insights. 'Nenhum investimento sério garante 12% ao mês, muito menos em imóveis, que têm liquidez baixa.'

A Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) emitiu um alerta na última terça-feira, 28 de julho, desmentindo qualquer parceria com plataformas de investimento digital que prometam rentabilidade fixa. Segundo a entidade, tokenização de imóveis é uma prática real e regulada pela CVM, mas os projetos legítimos passam por registro prévio e nunca fazem oferta ativa via WhatsApp ou Telegram.

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O Banco Central também registrou aumento de reclamações: foram 12.847 queixas relacionadas a golpes de investimento em julho, o maior número desde janeiro de 2023. A autarquia relembra que o único mecanismo oficial de proteção é o FGC, que cobre depósitos até R$ 250 mil, mas que não se aplica a esse tipo de 'ativo digital'. O golpista, evidentemente, não é uma instituição autorizada.

Para não cair na armadilha, o investidor deve seguir três regras de ouro: 1) desconfie de qualquer oferta que exija ação imediata e use urgência como argumento; 2) verifique o CNPJ da empresa no site da CVM e da B3, que mantêm listas de ofertas regulares; e 3) pesquise o nome do 'corretor' em sites como Reclame Aqui e no buscador do Tribunal de Justiça do seu estado. Se a promessa de retorno for muito acima da taxa média de investimentos imobiliários — que hoje gira em torno de 0,5% ao mês em FIIs —, é golpe.

Se você já foi vítima, a orientação é registrar boletim de ocorrência e reunir todos os comprovantes de transferência. O Procon-SP abriu um canal exclusivo para denúncias desta fraude, e o MP-SP já está com uma força-tarefa ativa desde o início de julho. A recuperação do dinheiro, no entanto, é improvável: a maioria dos valores é rapidamente transferida para contas de laranjas no exterior.

O caso serve de alerta: o mercado imobiliário digital é promissor, mas a educação financeira é o único ativo que nunca desvaloriza. Antes de 'investir' em qualquer coisa que você não entende, não custa nada consultar um especialista da sua confiança ou, no mínimo, o site da CVM.

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