O bairro no Rio que ninguém queria e virou o mais disputado para aluguel por temporada em 2026
A zona portuária carioca, antes evitada, agora lidera as buscas por locação de curta duração. Dados do Secovi-RJ mostram alta de 340% na procura em relação a 2025.

O mercado de aluguel por temporada no Brasil está passando por uma transformação silenciosa, mas acelerada. Nesta semana, dados do Secovi-RJ revelaram que a região da Zona Portuária do Rio de Janeiro, especificamente o bairro da Saúde e adjacências, registrou um aumento de 340% nas buscas por locação de curta duração em junho de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. O fenômeno, que pegou muitos investidores de surpresa, é impulsionado pela revitalização urbana e pela chegada de novos polos tecnológicos.
A procura por imóveis prontos para temporada subiu 18% no primeiro semestre de 2026, segundo a Associação Brasileira de Locação por Temporada (ABLT). As capitais do Nordeste, que tradicionalmente dominam o setor, cederam espaço para bairros antes periféricos do Sudeste. Em São Paulo, o bairro do Bom Retiro viu a diária média saltar de R$ 150 para R$ 280 nos últimos três meses, puxada por nômades digitais e profissionais em projetos temporários.
O perfil do locatário também mudou: não são mais só turistas de lazer. Dados do Banco Central mostram que o número de estrangeiros com visto de nômade digital cresceu 72% no primeiro semestre de 2026, e boa parte deles busca aluguéis de 30 a 90 dias. “Eles não querem hotel, querem experiência de morador local, com internet de fibra e café perto”, explica a economista da Anbima, Renata Lopes, em relatório divulgado nesta quinta-feira.
A rentabilidade para o proprietário, no entanto, exige cuidado. O Índice de Aluguel por Temporada da FipeZap, atualizado em julho, mostra que o retorno médio em bairros valorizados como Pinheiros (SP) e Ipanema (RJ) caiu 0,5 ponto percentual ao ano, para 5,2%, devido à oferta crescente. Já na Saúde (RJ) e no Bom Retiro (SP), a taxa subiu para 8,9% ao ano, com imóveis alugando em até 15 dias após a listagem.
O movimento reacende o debate sobre regulação. Na última semana, a Câmara dos Deputados retomou a discussão do PL 1234/2026, que propõe cadastro nacional de locações por temporada e limite de 90 dias por ano para imóveis não residenciais. “A informalidade ainda é de 40% do mercado, mas a tendência é de profissionalização”, afirmou o presidente do Secovi-SP, em coletiva ontem.
Para quem pensa em entrar nesse mercado, a dica dos especialistas é clara: foque em bairros em transição, com boa infraestrutura digital e acesso a transporte. A estação de metrô da Saúde, inaugurada em fevereiro, foi o gatilho para a valorização. E, como lembra o último relatório da Abrainc, o imóvel certo na hora certa ainda é o melhor investimento: “Em 2026, o lucro está no detalhe, não no óbvio.”


