Aluguel por temporada explode 22% no 2º tri de 2026; curta temporada domina capitais
Enquanto contratos de longo prazo perdem espaço, locação por temporada lidera rentabilidade em São Paulo, Rio e Florianópolis, impulsionada por nômades digitais e eventos corporativos.

O mercado de aluguel residencial no Brasil vive uma virada de chuteira neste 2026. Dados do índice Secovi-Fipezap divulgados nesta quinta-feira (17) mostram que, no segundo trimestre de 2026, a locação por temporada cresceu 22,4% em volume de novos contratos em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os aluguéis tradicionais de longo prazo (acima de 30 meses) recuaram 8% no mesmo comparativo. O fenômeno é puxado por capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, onde a flexibilidade de prazos e a rentabilidade superior atraem proprietários.
Segundo levantamento do Secovi-SP, o valor médio do aluguel por temporada em imóveis de alto padrão na capital paulista atingiu R$ 9.500 por mês em junho de 2026, ante R$ 4.200 de um contrato residencial padrão de 36 meses. A diferença reflete a disposição de inquilinos temporários — muitos nômades digitais e profissionais em projetos de curta duração — em pagar mais por mobilidade. “O perfil mudou: hoje, 40% dos contratos de temporada em São Paulo têm duração entre 3 e 6 meses, contra 25% em 2024”, explica economista da Abrainc ouvida pela reportagem.
No Rio de Janeiro, a onda de grandes eventos corporativos no Rio Innovation Hub e a realização do Web Summit Rio 2026 (em maio) aqueceram a demanda por locações de curta temporada perto da Barra da Tijuca e do Centro. Dados da B3 mostram que o índice de aluguel por temporada teve alta de 18% no trimestre, com diárias médias de R$ 380 para apartamentos de dois quartos. Em Florianópolis, a temporada de inverno — antes morna — virou segunda alta estação: a procura por imóveis mobiliados por curto prazo subiu 30% em junho, segundo a Associação de Imobiliárias de Santa Catarina.
O Banco Central, em seu último Relatório de Inflação (junho/2026), apontou que a alta do aluguel residencial como um todo foi de 1,8% no trimestre, mas a locação por temporada já responde por 12% do mercado formal de aluguéis nas capitais — ante 7% em 2024. O movimento preocupa o Congresso: tramita na Câmara o PL 4.567/2026, que propõe regras mais claras para contratos de temporada, incluindo a obrigatoriedade de registro na Prefeitura. “Sem regulação, o curto prazo pode encarecer o aluguel tradicional e reduzir a oferta para moradores fixos”, alerta relator do projeto.
Para o investidor, a mensagem é clara: imóveis com perfil para temporada — bem localizados, mobiliados e com boa conexão de internet — estão gerando retornos médios de 0,8% ao mês sobre o valor do imóvel, contra 0,4% dos aluguéis longos, segundo a Anbima. No entanto, a vacância intermitente e a necessidade de gestão ativa exigem estratégia. O mercado de 2026 consolida a temporada não como modismo, mas como novo pilar da renda imobiliária urbana.


