Nova lei de zoneamento em SP aprovada nesta semana libera 12 mil novos imóveis na Zona Leste
Projeto de lei sancionado pela prefeitura de São Paulo em 27 de julho altera coeficientes construtivos em 15 distritos da Zona Leste, prevendo aumento de 18% no estoque de terrenos habitacionais até 2030. Entenda os impactos no mercado imobiliário e os votos contrários.

A Prefeitura de São Paulo sancionou, nesta segunda-feira (27 de julho), o Projeto de Lei nº 789/2026, que altera o zoneamento urbano de 15 distritos da Zona Leste. A nova lei aumenta o coeficiente de aproveitamento básico de 1,0 para 1,5 em áreas próximas a corredores de transporte, como as avenidas Aricanduva e Sapopemba, liberando potencial construtivo estimado em 12 mil novas unidades habitacionais.
Segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), a mudança afeta 2.300 hectares, principalmente nos bairros de Itaquera, São Mateus e Cidade Tiradentes. O secretário Marcos Rodrigues afirmou, em coletiva, que a medida deve gerar R$ 4,2 bilhões em novas operações urbanas e atrair investimentos da ordem de R$ 1,8 bilhão nos próximos três anos, com base em projeções da Abrainc.
A proposta foi aprovada na Câmara Municipal por 38 votos favoráveis e 17 contrários, após três sessões de debate. Vereadores de oposição criticaram a ausência de contrapartidas ambientais e sociais, apontando risco de adensamento sem infraestrutura. O vereador Carlos Eduardo (PSOL) destacou que a Zona Leste já concentra 60% dos déficits de creches e unidades de saúde da cidade, segundo levantamento da Rede Nossa São Paulo.
Especialistas consultados pela Perspectiva Imobiliária avaliam que a lei pode impulsionar o mercado imobiliário em um momento de juros elevados — a Selic está em 11,50% ao ano desde a última reunião do Copom, em junho —, mas alertam para o risco de especulação. “Aumentar o potencial construtivo sem regras claras de destinação pode gerar estoque ocioso, como vimos em 2014 com a Operação Urbana Faria Lima”, pondera a urbanista Ana Paula Silva, do Instituto Pólis.
A prefeitura informou que o Plano Diretor Estratégico de 2026, ainda em tramitação, deve incorporar as alterações. Enquanto isso, incorporadoras como a Cyrela e a MRV já protocolam estudos de viabilidade para novos empreendimentos na região. O Secovi-SP projeta que os lançamentos na Zona Leste cresçam 22% no segundo semestre, na comparação com o mesmo período de 2025.
Para investidores, a recomendação é acompanhar os loteamentos aprovados e as outorgas onerosas — que tiveram preços reajustados em 8% no último mês — e evitar áreas sem infraestrutura consolidada. A mudança no zoneamento reforça a tendência de descentralização do mercado imobiliário paulistano, que já vinha sendo observada no trimestre atual.


