Neymar desembolsa R$ 38 milhões por cobertura em Itaim e amplia portfólio de R$ 260 milhões
Atacante fechou nesta semana a compra de um duplex de 780 m² no novo epicentro bilionário de São Paulo — e o valor por metro quadrado superou o recorde do próprio bairro em 2026.

Neymar Júnior voltou a movimentar o mercado imobiliário de alto padrão. Nesta semana, o atacante fechou a compra de uma cobertura duplex de 780 m² no coração do Itaim Bibi, em São Paulo, por R$ 38 milhões — o equivalente a R$ 48,7 mil por metro quadrado. O valor supera em 22% a média do metro quadrado do bairro, que segundo o Índice FipeZap de agosto de 2026 fechou em R$ 39,9 mil. A transação foi intermediada por uma consultoria boutique que atende atletas e não teve os detalhes divulgados oficialmente, mas pessoas próximas à negociação confirmaram os números à reportagem.
O imóvel, entregue no fim de julho pela incorporadora responsável, tem quatro suítes, piscina aquecida com borda infinita, cinema privativo, adega climatizada para 1.200 rótulos e seis vagas na garagem. O condomínio, lançado em 2021 e batizado informalmente de "torre dos craques", já tem outros dois jogadores da Seleção entre os moradores — o que ajudou a pressionar o preço final. Corretores ouvidos pela reportagem estimam que unidades equivalentes no mesmo prédio sejam renegociadas por até R$ 42 milhões até o fim de 2026.
A aquisição coroa uma estratégia imobiliária agressiva que Neymar vinha desenhando desde 2024. Somando a mansão de 3.200 m² em Mangaratiba (RJ), avaliada em R$ 95 milhões, o triplex na Avenida Atlântica, em Copacabana, o apartamento em Barcelona e a recém-comprada cobertura em São Paulo, o portfólio do atleta no Brasil já ultrapassa R$ 260 milhões em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria paulistana Hill & Monteiro, especializada em patrimônio de celebridades. Só nos últimos doze meses, a valorização média desses ativos foi de 11,4%, acima do IPCA de 4,2% acumulado em 12 meses até agosto.
O movimento acompanha uma corrida silenciosa de famosos pelo metro quadrado paulistano. Dados do Secovi-SP mostram que transações acima de R$ 20 milhões cresceram 34% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, puxadas por jardins, Itaim e Vila Nova Conceição. Anitta, que em maio deste ano arrematou um penthouse de 420 m² na Vieira Souto por R$ 27 milhões, e Ivete Sangalo, que ampliou o terreno do condomínio em Salvador com a compra de um lote vizinho por R$ 8,5 milhões em julho, são outros nomes que aparecem nos relatórios do setor. Roberto Justus, por sua vez, colocou à venda em agosto uma casa de 900 m² nos Jardins por R$ 32 milhões — quase o dobro do que pagou em 2019.
Especialistas explicam o fenômeno pela combinação de juros ainda altos e busca por ativos reais. "Celebridades com renda em dólar ou em contratos de longo prazo enxergam o imóvel de luxo como proteção cambial e vitrine de status. O metro quadrado premium virou commodity", diz Renata Sampaio, sócia da Hill & Monteiro. O Banco Central, no último Copom, em 9 de setembro, manteve a Selic em 10,75% ao ano, o que mantém o crédito imobiliário caro para o comprador comum, mas pouco afeta quem compra à vista.
Para quem observa de fora, o recado é duplo. De um lado, o mercado de altíssimo padrão segue aquecido e com liquidez recorde: a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) projeta alta de 9% nos lançamentos de luxo até dezembro. De outro, a distância entre o metro quadrado dos famosos e o do brasileiro médio nunca foi tão grande — o mesmo FipeZap aponta que a média nacional ficou em R$ 9.180/m² em agosto. O duplex de Neymar, sozinho, vale o equivalente a 4.140 metros quadrados de apartamento padrão em São Paulo. Um número que, mais do que curiosidade, escancara em qual mercado o dinheiro dos famosos está apostando em 2026.


