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Minha Casa Minha Vida corta juros para 4,5% ao ano e amplia faixa 4 para renda de R$ 12 mil

Governo usa R$ 12,8 bilhões do FGTS Futuro para baratear parcelas e incluir mais 1,2 milhão de famílias. Banco Central alerta para pressão inflacionária, mas mercado já reage com fila de crédito.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Minha Casa Minha Vida corta juros para 4,5% ao ano e amplia faixa 4 para renda de R$ 12 mil

O Minha Casa Minha Vida (MCMV) acaba de ganhar o maior pacote de mudanças desde a retomada do programa em 2023. Nesta semana, o Ministério das Cidades publicou a Medida Provisória 1.245/2026, que reduz a taxa de juros da faixa 1 de 5% para 4,5% ao ano e eleva o teto da faixa 4 de R$ 8 mil para R$ 12 mil de renda mensal familiar. A medida vale a partir de 1º de outubro e deve injetar R$ 12,8 bilhões do FGTS Futuro no sistema até dezembro de 2027, segundo estimativa da Abrainc.

Na prática, a mudança mexe direto no bolso do comprador. Um financiamento de R$ 250 mil em 30 anos, que hoje sai por R$ 1.750 mensais, passa a custar R$ 1.620 — uma economia de R$ 130 por mês, ou R$ 46,8 mil ao longo do contrato. Para a faixa 4, que agora inclui famílias com renda de até R$ 12 mil, o teto do imóvel financiado sobe de R$ 500 mil para R$ 650 mil nas capitais e regiões metropolitanas. "É o maior ajuste de crédito popular dos últimos dez anos", afirma Marcos Salles, superintendente da Abrainc.

O anúncio veio horas depois de o Copom sinalizar, no último dia 9, que a Selic deve permanecer em 9,25% ao ano por mais dois trimestres. A leitura do mercado é clara: com o juro básico estável e a inflação de 3,8% acumulada em 12 meses (IPCA de agosto), o governo encontrou espaço fiscal para subsidiar o crédito sem pressionar ainda mais a dívida pública. O Banco Central, porém, já manifestou preocupação com o efeito colateral: o crédito imobiliário responde por 11,2% do PIB e pode pressionar a demanda por materiais de construção, que subiram 0,9% em agosto, segundo o IBGE.

Para quem tem renda entre R$ 8 mil e R$ 12 mil — faixa que até então ficava de fora do MCMV —, a novidade é a chance de sair do aluguel com parcela menor que o aluguel. A Fipezap mostra que o preço médio do metro quadrado em São Paulo está em R$ 11.400, e o aluguel residencial subiu 8,7% em 12 meses, bem acima da inflação. "A conta fechou: em muitos bairros de periferia, a prestação do MCMV ficou mais barata que o aluguel", diz Ana Paula Lima, economista da Secovi-SP.

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O setor de incorporação já reage. A B3 registrou alta de 4,3% no índice Imobiliário (IMOB) nesta sexta-feira, puxada por Cyrela, Direcional e MRV, que têm forte exposição ao segmento popular. A Anbima informou que a emissão de CRIs para o setor habitacional somou R$ 5,6 bilhões em agosto, o maior volume mensal do ano. "O crédito está voltando, mas ainda seletivo. O próximo passo é destravar o funding de longo prazo", avalia o economista-chefe da Anbima, Luiz Fernando Torres.

A MP 1.245/2026 ainda precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias, prazo que termina em 10 de janeiro de 2027. O relator, deputado Federal (PSD-MG), já sinalizou que quer incluir emendas para ampliar o subsídio à faixa 1 e criar uma linha específica para famílias chefiadas por mulheres. Enquanto isso, os bancos correm contra o relógio: Caixa e Banco do Brasil já anunciaram que abrem as novas condições de crédito no dia 1º de outubro, com simulações disponíveis nos aplicativos a partir do dia 25 de setembro.

O recado para o investidor é direto: acompanhe o Congresso de perto. Se a MP for aprovada sem grandes alterações, o volume de lançamentos populares deve crescer 18% em 2027, segundo projeção da Abrainc, e as ações do setor podem repetir o rali de 2023. Se o texto travar, o efeito no bolso de quem financia pode demorar — e a fila de espera por moradia popular, que já soma 5,8 milhões de famílias, continua andando a passos lentos.

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