Minha Casa Minha Vida agora: 1,2 milhão de moradias até 2028
Governo amplia faixa 1 para famílias com renda até R$ 3.000 e reduz juros a 3,5% ao ano. Veja quem entra na nova regra e como isso afeta o preço dos imóveis.

O governo federal anunciou nesta semana a ampliação do Minha Casa Minha Vida, com meta de contratar 1,2 milhão de novas moradias até o fim de 2028. O pacote, apresentado pelo Ministério das Cidades em cerimônia em Brasília, eleva o teto da faixa 1 de R$ 2.400 para R$ 3.000 de renda familiar mensal, beneficiando diretamente cerca de 300 mil famílias que antes ficavam de fora do programa.
Além da correção das faixas, os juros para famílias de baixa renda caíram de 4,25% para 3,5% ao ano, com subsídio máximo de R$ 55 mil por unidade — antes, o teto era R$ 47,5 mil. Segundo o Ministério das Cidades, o investimento total previsto é de R$ 80 bilhões até 2028, somando recursos do FGTS, do Orçamento Geral da União e parcerias com estados e municípios.
O impacto no setor imobiliário já é sentido: a Abrainc projeta alta de 12% nas vendas de imóveis econômicos neste trimestre, impulsionada pela demanda reprimida e pela confiança do mercado. "A correção das faixas era uma reivindicação antiga das construtoras e agora destrava lançamentos em cidades médias do Nordeste e do Norte", avalia a entidade em nota técnica divulgada ontem.
Em contrapartida, especialistas alertam para o risco de inflação nos custos de construção, que subiram 6,8% nos últimos 12 meses, segundo o INCC. A pressão sobre o preço do cimento e do aço pode reduzir a margem das empresas e atrasar entregas. O Banco Central, no último Copom, manteve a Selic em 9,25% ao ano, o que ainda favorece o financiamento imobiliário, mas o comitê sinalizou possíveis ajustes se a inflação de materiais persistir.
Para o comprador, a novidade exige atenção: as inscrições para a faixa 1 devem abrir em cada município até dezembro, com prioridade para famílias em áreas de risco e mulheres chefes de lar. No programa "Minha Casa, Minha Vida Entidades", voltado a cooperativas e associações, o prazo para apresentação de propostas termina em 30 de setembro — quem perder a janela terá de esperar o próximo edital, previsto só para 2027.
Na prática, o anúncio deve acelerar a queda do déficit habitacional, estimado em 5,8 milhões de moradias pelo estudo mais recente da FGV. Mas a efetividade dependerá da agilidade das prefeituras na aprovação de projetos e da disponibilidade de terrenos bem localizados. A recomendação de planejadores urbanos é que os municípios revisem seus planos diretores já neste semestre, para evitar que as novas unidades sejam empurradas para periferias distantes, repetindo erros do passado.
Se cumprida a meta, o programa pode injetar R$ 120 bilhões na economia até 2028, considerando efeito multiplicador na cadeia de materiais, móveis e serviços. Para o investidor pessoa física, o momento é de monitorar construtoras com exposição ao segmento econômico, como as listadas na B3 que já anunciaram revisão de guidance esta semana. A dica dos analistas é diversificar entre incorporadoras de diferentes regiões, pois o ritmo de execução das obras varia conforme a capacidade local de gestão.


