Minha Casa Minha Vida 4: 300 mil moradias e prestação de R$ 399; quem entra na fila
Governo lança nesta semana a quarta fase do programa, com meta de 1,2 milhão de unidades até 2028 e nova faixa para renda de até R$ 3.200. Veja se você se encaixa e o que muda no financiamento.

O governo federal anunciou nesta semana a quarta etapa do Minha Casa Minha Vida, batizada de MCMV 4, com meta de contratar 300 mil moradias ainda em 2026 e 1,2 milhão até o fim de 2028. A medida provisória assinada na terça-feira (14) cria uma faixa inédita para famílias com renda mensal de até R$ 3.200, que terão prestação inicial a partir de R$ 399 nas regiões Norte e Nordeste e de R$ 449 nas demais. O texto segue para votação no Congresso em até 120 dias.
Segundo a Abrainc, a nova etapa deve movimentar R$ 132 bilhões em crédito imobiliário no ciclo 2026-2028, sendo R$ 38 bilhões já neste trimestre. O Banco Central projeta que a medida pode adicionar 0,4 ponto percentual ao PIB da construção civil em 2027. O programa usa parte do saldo residual do FGTS e um aporte de R$ 18 bilhões do Orçamento, aprovado na semana passada pela Comissão Mista de Orçamento.
A grande mudança está na chamada Faixa 1-A, que cobre renda até R$ 3.200 e subsídio de até 95% do valor do imóvel. O teto do imóvel financiado sobe de R$ 264 mil para R$ 290 mil em municípios de até 100 mil habitantes e chega a R$ 350 mil nas capitais. A Caixa e o Banco do Brasil já operam simulações desde quinta-feira (10), com fila prevista para começar em 5 de outubro.
Para o Secovi-SP, o anúncio aquece o mercado de terrenos em periferias metropolitanas, mas há risco de pressão sobre preços. 'A demanda nova pode empurrar o metro quadrado em bairros de entrada, especialmente em São Paulo e Fortaleza', diz a entidade em nota. O Fipezap aponta que o preço médio de venda subiu 9,1% em 12 meses até agosto, acima da inflação de 4,8% no período.
Especialistas alertam que a prioridade será de famílias chefiadas por mulheres, com idosos ou pessoas com deficiência, seguindo o mesmo critério das etapas anteriores. 'Quem tem renda até R$ 3.200 precisa correr para atualizar o cadastro no aplicativo Meu Minha Casa Minha Vida', afirma a diretora de habitação da Anbima, Renata Lopes. O cadastro pode ser feito pelo site da Caixa ou nas agências.
O prazo para as prefeituras aderirem ao programa termina em 15 de outubro. Até agora, 1.847 municípios já manifestaram interesse, segundo o Ministério das Cidades. A expectativa é que os primeiros contratos sejam assinados em novembro, com entrega das chaves prevista para o segundo semestre de 2027.
Para o investidor, a leitura é dupla: por um lado, a valorização de terrenos em áreas de expansão pode render 15% a 20% em dois anos; por outro, o excesso de oferta pode segurar o aluguel em bairros populares. A recomendação de analistas é mirar regiões com infraestrutura consolidada e obras do PAC, onde a liquidez é maior.


