Minha Casa Minha Vida 2026: correção do FGTS muda parcelas em 30 dias
Caixa anuncia nova regra de correção do FGTS para contratos do MCMV a partir de setembro. Veja como isso afeta o valor das parcelas e quem pode se beneficiar.

Nesta semana, a Caixa Econômica Federal anunciou uma mudança significativa na correção do FGTS para novos contratos do Minha Casa Minha Vida (MCMV), agora chamado de Casa Verde Amarela. A partir de 1º de setembro, a correção do saldo devedor dos financiamentos imobiliários com recursos do FGTS passará a ser limitada a 80% do IPCA, medida que visa reduzir o custo do crédito para as famílias de baixa renda.
Segundo o Banco Central, a decisão alinha a política habitacional com a nova meta de inflação de 3,5% para 2026, após o IPCA acumulado em 12 meses atingir 4,2% em julho. A medida foi elogiada pela Abrainc, que estima uma redução média de 1,2 ponto percentual nas taxas de juros efetivas dos contratos. "Isso pode representar uma economia de até R$ 18 mil ao longo do financiamento para uma parcela de R$ 1.200", calcula o economista-chefe da associação, Luís Gustavo Lima.
Especialistas apontam que a mudança deve impulsionar as vendas no segundo semestre, após um primeiro trimestre fraco. Dados do Secovi-SP mostram que os lançamentos no país caíram 8% no primeiro trimestre de 2026, puxados pela alta dos juros — a Selic, que subiu 0,5 ponto no último Copom, chegou a 14% ao ano. "A correção do FGTS é um alívio, mas a Selic alta continua travando o mercado imobiliário para a classe média", avalia o analista da FipeZap, Marcelo Prata.
A medida também deve beneficiar o setor de imóveis usados, que responde por 60% das transações em grandes capitais. A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) projeta um crescimento de 12% nas vendas de usados até o fim do ano, impulsionado pela redução dos custos de financiamento. "Muitos compradores que estavam esperando uma queda na Selic agora podem acelerar a decisão, pois a correção menor do FGTS reduz o custo total do crédito", explica Prata.
Porém, a novidade não é universal: contratos assinados antes de 1º de setembro continuam com a regra antiga, o que gera um efeito 'corrida' para assinar antes do prazo. Corretores relatam aumento de 20% no número de simulações nesta primeira semana de agosto. "Quem está em dúvida entre comprar agora ou esperar deve ficar atento ao calendário", alerta a especialista em crédito imobiliário, Renata Costa.
A Caixa informou que a nova regra será automática nos contratos, sem necessidade de solicitação. Para famílias com renda até R$ 8 mil, a medida pode ser combinada com o subsídio do Casa Verde Amarela, que oferece até R$ 47,5 mil de desconto. O programa também ampliou o número de unidades financiadas para 800 mil em 2026, um recorde histórico.
No Congresso, a MP que regulamenta a mudança está prestes a ser votada, com parecer favorável do relator. Se aprovada, a medida deve ter efeito retroativo a setembro. A expectativa é que o projeto seja votado até o fim do mês, antes do recesso parlamentar. "Essa é uma das políticas mais importantes para destravar o setor imobiliário em 2026", conclui Renata Costa.
Para os investidores, a recomendação é ficar de olho nas construtoras focadas no segmento econômico, como a MRV e a Tenda, que devem ser as principais beneficiadas. A análise do mercado aponta que a redução do custo do crédito pode elevar os lucros dessas empresas em até 5% no próximo ano. No entanto, é preciso considerar os riscos de uma inflação persistente, que pode exigir novas altas da Selic no último trimestre.


