Minha Casa Minha Vida 2026: 4 novas faixas e subsídio de R$ 120 mil — veja quem entra
Programa anunciado nesta quarta amplia público e corta juros. Entenda as novas regras de renda, o valor do subsídio e como a mudança afeta o mercado imobiliário já neste trimestre.

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (29) a nova versão do Minha Casa Minha Vida, com quatro faixas de renda, subsídio máximo de R$ 120 mil e juros a partir de 4% ao ano. A medida, que começa a valer em 1º de setembro, deve movimentar o setor imobiliário já neste trimestre, com expectativa de 1,5 milhão de novos contratos até o fim de 2027.
Segundo o Ministério das Cidades, as faixas foram reajustadas em 15% sobre os valores de 2025. Agora, a Faixa 1 vai de R$ 2.400 a R$ 3.600 de renda bruta, com subsídio de até R$ 120 mil. A Faixa 2, de R$ 3.600 a R$ 5.500, terá juros de 5,5% e subsídio de até R$ 80 mil. Já a Faixa 3, até R$ 8.000, contará com juros de 6,5%, sem subsídio direto. Uma nova Faixa 4, de até R$ 10.500, terá juros de 7% e acesso ao FGTS para entrada.
A Abrainc estima que a ampliação do teto de renda pode adicionar 300 mil famílias ao mercado elegível, elevando a demanda potencial para 6,2 milhões de lares. As construtoras de médio padrão, que atuam no segmento de até R$ 400 mil, devem ser as mais beneficiadas, segundo análise da consultoria GRI. Em São Paulo, a Secovi projeta alta de 12% nos lançamentos no segundo semestre impulsionada pelo programa.
Mas não é só notícia boa. O mercado já precifica o impacto fiscal: o custo estimado do programa é de R$ 14 bilhões em 2026, com parte vinda do Fundo de Garantia (FGTS) e parte do Orçamento. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária alertam que a pressão sobre a dívida pública pode adiar a queda da Selic, hoje em 9,5% ao ano. No último Copom, a ata indicou que o comitê aguarda a tramitação do pacote habitacional no Congresso para calibrar os próximos passos.
No Congresso, a base governista tenta aprovar em regime de urgência um projeto que cria o Fundo Nacional de Habitação Social (FNHS), que garantiria fontes permanentes para o programa, reduzindo a dependência do FGTS. A oposição, porém, critica o aumento do endividamento público e defende a priorização das faixas mais baixas, com subsídio maior para quem mais precisa.
Para quem está pensando em comprar o primeiro imóvel, a hora exige atenção. Com as novas regras, uma família com renda de R$ 4.200, por exemplo, pode financiar um imóvel de até R$ 350 mil com parcelas a partir de R$ 1.850. Mas é preciso verificar se a construtora está habilitada no programa e se o projeto está dentro dos limites de preço. A Caixa Econômica informou que as simulações online serão atualizadas até o dia 15 de agosto.
A expectativa é de que a medida destrave o setor, mas também pressione os preços nas regiões metropolitanas. No segundo trimestre, o FipeZap já registrou alta de 1,2% no preço médio do metro quadrado em 50 cidades, puxada por capitais como Fortaleza e Curitiba. Com o novo programa, a tendência é de aceleração, principalmente nos municípios com déficit habitacional acima de 100 mil moradias.
Se você se enquadra nas novas faixas, o conselho é começar a organizar a documentação agora: comprovantes de renda, extrato do FGTS e certidão de nascimento ou casamento. As inscrições nos municípios começam em setembro, mas a procura deve ser alta — e as vagas, limitadas.


