Minha Casa com juro zero: 120 mil famílias entram na lista em agosto
Nova fase do MCMV começa em 30 dias com orçamento recorde de R$ 12 bilhões; veja quem tem prioridade e como garantir a casa própria sem pagar juros.

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (30) a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida, que agora inclui uma modalidade com juro zero para famílias com renda de até R$ 2.850. A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial, prevê a contratação de 120 mil unidades só no segundo semestre de 2026, com orçamento de R$ 12 bilhões vindos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).
A novidade foi confirmada pelo Ministério das Cidades e pela Caixa Econômica Federal, que já abriram o cadastro para os interessados. Segundo o secretário nacional de Habitação, Carlos Moura, a prioridade será para famílias chefiadas por mulheres, pessoas com deficiência e idosos. "Queremos reduzir o déficit habitacional de forma efetiva, atacando o principal gargalo: o custo do financiamento", disse em entrevista coletiva.
A mudança chega em um momento em que a taxa Selic, mantida em 13,75% ao ano pelo Copom no início de julho, ainda pesa no bolso do comprador. Com juro zero no MCMV, uma família que financiaria R$ 200 mil por 30 anos deixaria de pagar cerca de R$ 480 por mês só de juros, segundo simulações da Abrainc. Na prática, a parcela cairia de R$ 1.850 para R$ 1.370, considerando o valor do imóvel e o seguro.
Por outro lado, para quem está fora do programa, o cenário segue desafiador. O Índice de Preços FipeZap apontou alta de 1,2% no preço médio do metro quadrado em julho, acumulando 9,8% em 12 meses. Em capitais como São Paulo e Florianópolis, o valor médio já ultrapassa R$ 12 mil. A combinação de juros altos e preços em alta tem feito muitos investidores migrarem para o mercado de aluguéis, que registrou o melhor trimestre da série histórica em 2026, com rendimento médio anual de 8,4%.
Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária veem a medida como um alívio para a baixa renda, mas alertam para a necessidade de acompanhamento fiscal. "O governo está usando recursos do FAR, que depende do retorno dos financiamentos. Com juro zero, a conta precisa ser coberta por subsídios diretos. Se não houver controle, pode faltar verba para os próximos anos", avalia o economista Paulo Tavares, da consultoria Rural.letic.
Para se cadastrar, as famílias devem procurar a Caixa ou as prefeituras municipais, que farão a triagem dos beneficiários. A previsão é que as primeiras contratações saiam em até 60 dias. Enquanto isso, o Congresso discute uma proposta que amplia o teto do MCMV para cidades com alto custo de construção, como Brasília e o litoral paulista. Se aprovada, a renda máxima para participar do programa pode subir de R$ 8 mil para R$ 9,5 mil já no próximo ano.
Na prática, o juro zero muda a matemática de quem achava que nunca teria casa própria. Mas é preciso correr: o cadastro é online, e as vagas são limitadas. Quem deixar para depois pode ficar de fora desta primeira leva. A dica é reunir a documentação com antecedência e ficar atento aos canais oficiais, pois golpes já foram identificados usando o nome do programa.


